“se você dá o cu, azar o seu!”
"A entrevista abaixo foi escrita há mais de um ano, quando pensávamos em publicar uma revista pseudocultural aqui na cidade. A revista não saiu e a entrevista ficou engavetada. Publico hoje por ocasião do show que vai rolar mais tarde no Senzala, puteiro luxuosíssimo aqui de Natal."
Por Emanuel Grilo
Já era mais ou menos três da tarde quando olhei pro relógio na parede do bar. Caralho, pensei, já estou ficando biritado e aquele viado não chega!
Pedi outra cerveja, e quando o garçom saiu pra buscá-la, tentei acender um cigarro, mas do isqueiro nada além de faíscas.
- Me arranja o fósforo aí, vá lá. - Pedi ao cara que me trouxe a cerveja, e ele se pôs a procurar nos bolsos do avental. - Essa bosta de isqueiro não presta mais não, sentenciei, e acendi meu Derby Suave com o fósforo que o garçom me entregara.
Ainda vestido pela fumaça do primeiro trago, vi quando a pessoa que eu esperava entrava no bar com seus dois metros de altura, carregando uma bolsa cheia de DVDs piratas, semblante sério, cumprimentando as pessoas das mesas.
Olhando assim tão sério, pensei, não tem quem diga que seja o autor do trabalho Pornofônico mais bem elaborado e esculhambado dos últimos anos aqui no RN.
Autor de canções de lirismo singular e putaria extrema, Cabrito está longe de ser unanimidade. Idolatrado por uns, odiado por outros, dizem que até já sofreu um atentado promovido por um grupo feminista sapatões e gays revoltados.
Cumprimentamos-nos, e fomos à mesa, na qual tivemos o seguinte bate-papo:
Emanuel Grilo – Cabrito, jacaré no seco anda?
Cabrito – No meu? Rapaz... até que anda, viu!
E.G. – Que diabo de pseudônimo é esse? Por que Cabrito?
Cabrito – Rapaz, porque é o nome do demônio, é um lance meio demoníaco. Você sabe que cabrito é o símbolo de satanás, aí eu resolvi fazer essa homenagem.
E.G. – Mas e aquela estória que você diz numa de suas músicas sobre a cabrita “Fulô"? Pensei que o nome Cabrito tinha alguma coisa a ver com o romance que você teve com a tal caprina...
Cabrito – Não, isso aí é folclore. Licença poética...
E.G. – Por falar em folclore, que conversa é essa que você é filho bastardo de Câmara Cascudo?
Cabrito – (risos) Eu até que gostaria, mas é conversa do povo. Me pareço um pouco com ele, aí inventaram isso.
E.G. – Conte um pouquinho pra gente como surgiu o Cabrito.
Cabrito – Eu sou compositor e faço outro tipo de trabalho também. Então, certa vez, uns parceiros gravaram uma música minha, mas não colocaram meu nome. Aí eu pensei: vou fazer umas músicas que ninguém queira plagiar. Daquele tipo que ninguém tivesse coragem de assumir a autoria, nem quisesse gravar. Já pensou se um caba escuta uma música do Cabrito e pergunta a algum compositor se a música é dele? O cara vai negar na certa! “Não, essa música aí é de Cabrito”. Também queria fazer uma coisa que ninguém tivesse feito ainda.
E. G. – E qual foi a repercussão do trabalho de estréia?
Cabrito – Vige! Alguns amigos não gostaram. Uns até deixaram de falar comigo, mas no geral foi muito bom. Recebo e-mail de tudo quanto é canto! Do Rio Grande do Sul, do Ceará, do Amapá, do caralho! Outro dia eu ia andando na rua e vi um caba com uma camisa com minha foto e embaixo o nome “Cabrito”.
E.G. – E você já conseguiu comer muita gente com essa arrumação?
Cabrito – Sempre comi!
E.G. – E a agenda de shows, como vai?
Cabrito – Rapaz, o problema é que eu não encontro quem tenha coragem de promover shows meus. Lanço um desafio aqui: Quero ver se nessa cidade tem algum produtor com coragem de produzir os shows de Cabrito!
E.G. – Mas a que se deve isso?
Cabrito – Falso moralismo! Essas coisas que eu digo nas músicas são do conhecimento de todo mundo, rapaz! Quem é que não assiste filme pornô? Quem não curte viver na putaria? Agora as pessoas ficam com esse falso moralismo...
E.G. – O clip de sua música “A tabela da Putada” foi barrado recentemente num festival de curta metragem local...
Cabrito – Absurdo! Tiraram até do youtube! Vou processar o youtube por ter tirado aquela obra de arte do ar!
E.G. – Mas Cabrito, tem gente que se sente ofendida por esse tipo de conteúdo...
Cabrito – Ah, mas meu trabalho eu encaro com muita seriedade. Fico muito satisfeito quando alguém se sente ofendido com minhas músicas. Só o que eu tenho a dizer pra essas pessoas é que, se você dá o cu, azar o seu! Não precisa se envergonhar. Se você gosta de chupar pica, não precisa ficar constrangido! Qual a mulher que não chupa uma chibata? Qual a mulher que não dá o cu?
E.G. – Tem umas que não dão...
Cabrito – Não dão se você não forçar!
E.G. – (Risos) Cabrito, deixe um recado pros nossos leitores.
Cabrito – Saiam de trás das aparências! As pessoas deveriam ser como realmente são: escrotas! Eu, em minhas músicas só digo a verdade, por isso que Cabrito é chocante. As pessoas ficam querendo enxergar a sexualidade como algo romântico... sexualidade não é nada disso, esse lance de amor. Sexualidade é pau no cu, é chibata na xoxota!
Veja também:
Reportagem da Tribuna do Norte sobre o show no Puteiro Senzala
Videoclipe da música A TABELA DA PUTADA de Cabrito.
O relato da experiência de quando trabalhei nas Brasileirinhas no texto “A indústria pornográfica é foda!”
Chocante relato de um estupro em Putaria com animais



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