03 Novembro, 2010

Uma singela observação a respeito do caso Sakineh.

A comunidade internacional se mobiliza para salvar da morte a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada – segundo a imprensa – por ter mantido relacionamento com um homem após a morte de seu marido.
Uma condenação à pena capital por ato tão inofensivo seria algo absurdo, completamente desarrozoado, inadmissível no “mundo civilizado”, talvez por isso tenha gerado tanta comoção mundo a fora.
Fato que a imprensa ocidental faz questão de não reverberar é que a dita cuja foi condenada não pelo motivo acima exposto, mas por ter participado do assassinato de seu marido.
Não por coincidência, um dos homens com quem Sakineh manteve relação após o assassinato de seu esposo era justamente o principal suspeito de tê-lo matado, e que mais tarde viria a ser condenado por tal crime, em processo no qual foi garantido o contraditório e ampla defesa.
Não quero aqui promover discussões a respeito da justeza ou não da pena de morte, tampouco sou defensor do regime iraniano, mas considero falta de escrupulos distorcer de forma tão descarada os fatos como a imprensa vem fazendo, ao que tudo indica, por motivos ideológicos.
Repercussão muito menor se deu no quase idêntico caso da americana Teresa Lewis, executada 23 de setembro do ano corrente, após ser condenada pelo mesmo delito cometido pela criminosa iraniana.
Veja aqui a notícia.

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