13 Setembro, 2010

“Eu queria ser o Kid Bengala”

Um dia desses, conversando com Werther Alípio, me flagrei proferindo uma frase iniciada com aquele velho chavão: “no meu tempo as coisas eram diferentes...”
Bem, como ainda nem cheguei aos trinta, o interlocutor mencionado ironizou, mas acabamos nos convencendo que ambos somos homens de outro tempo.
Não lamento esse fato e até já me resignei com isso!
Não raramente me pego maldizendo os costumes de hoje em dia. Essa juventude escrota que não tem modos, que se veste de forma andrógena, usa brinco no nariz, escuta músicas de bandas emos, entre outras esquisitices.
Sou um cara tradicional sim! Até conservador, eu diria! Noutro dia uma fulaninha se chateou comigo só por que, no meio de uma orgia, ela, após beber refrigerante, quis me pagar um boquete sem sequer escovar os dentes antes.
Falei que aquilo era falta de higiene e ela me olhou de maneira estranha, como se não tivesse entendido o que eu tinha falado.
Não acho muito correto o comportamento dos jovens de hoje durante as surubas. Sou do tempo das surubas bem comportadas, onde se pedia licença antes de comer a parceira do outro.
Tenho um amigo que, numa situação dessas, deu uma bobeira e acabou levando uma covarde dedada pelas costas – sem querer ser engraçadinho!
Como pessoa tradicional que sou, no que se refere à pornografia, prefiro o cinema pornô clássico, onde a estética e a arte na direção e fotografia eram mais valorizados que nos filmes atuais. Existe uma diferença abissal entre filme pornográfico e filme de putaria; no primeiro gênero são valorizados elementos como roteiro, interpretação etc. Nos filmes de simples putaria o que vale é só o sexo! Pica na xoxota e ponto final! Infelizmente não se faz mais pornografia como antigamente. Saudoso é o tempo da Cicciolina, da Silvia Saint e da Rebecca Bardoux!
Mas embora tenha todas essas ressalvas a respeito da indústria pornográfica hodierna, compus a letra de um blues intitulada “Eu queria ser o Kid Bengala”.
Claro que eu realmente não desejo ser o tal ator pornô, mas confesso que se eu tivesse uma chibata do tamanho da que ele tem mudaria de profissão imediatamente!
Para minha surpresa, a canção se tornou sucesso estrondoso entre uns cinco ou seis amigos meus.
Tamanho foi a repercussão que fui convidado pelo escroto do Eduardo para cantá-la no festival “Prozac Fest” acompanhado da banda Memê e seus sonhos pornográficos. Aceitei o convite, obviamente condicionando minha apresentação ao consumo gratuito de bebidas alcoólicas durante o evento.
A respeito da apresentação em si não tenho lá muito o que dizer. Não me surpreendeu o público não ter curtido muito, afinal de contas canto ruim pra caralho.
Confesso, no entanto, que, nos momentos que antecederam a apresentação, cheguei a imaginar que algumas pessoas fossem gostar, cantar o refrão comigo e tudo o mais. Mas o máximo que consegui foi ser taxado de machista depravado por uma feminista de plantão.
Se bem que certa senhorita me abraçou efusivamente e disse:

- Grilo, eu não sabia que você cantava!
- E não canto. – Respondi.

Ela sorriu e, sem mais nem menos, disse que iria me adicionar no Orkut.

- Não uso Orkut. – respondi. – Sou um cara meio conservador.

1 comentários:

Caceres disse...

Conservador. Eu sei. E ter uma vida indecente. Que mara.