Suzana chamava a atenção dos clientes sempre que transitava por entre as mesas para atender algum pedido. Tudo bem que seu rosto não era a coisa mais linda do mundo, mas ela tinha cara de safada, exalava feromônio trezentos e sessenta e cinco dias por ano.
Impossível olhar pra ela e não pensar em putaria!
Achava massa quando ela ficava na ponta dos pés, se espremendo entre as cadeiras, segurando a bandeja e ralando involuntariamente a bunda nas costas de quem estivesse sentado. Sua blusa levantava um pouco e era possível ver um pedacinho da barriga.
Suzana me inspirou muita punheta.
Eu trabalhava na cozinha da lanchonete lavando os pratos e fazendo os sanduiches. Era uma merda aquele trabalho, mas eu não reclamava. A vida é uma merda mesmo!
Vez por outra, no entanto, a gente chega a pensar que o mundo é uma maravilha e passa a acreditar em certas baboseiras tais como felicidade e outras idiotices. O bom é que esse tipo de pieguice num instante passa.
Tive essa sensação justamente quando começou a rolar um clima entre mim e Suzana. Não que eu tenha me apaixonado por ela. Na verdade eu só queria comê-la e dispensá-la como habitualmente eu faço com as mulheres que eu pego. Mas a convivência me deu a impressão de que Suzana era o tipo de mulher que valia a pena investir. Era interessante, lia até romance, fazia planos pro futuro e tudo o mais.
À noite, quando saíamos do trabalho eu a acompanhava até a parada de ônibus, pois o centro da cidade é foda. Levava na mochila uma barra de ferro pra me proteger da malandragem, e Suzana se sentia segura do meu lado por causa disso.
Convidei-a para sair numa sexta-feira, mas ela recusou o convite alegando que no dia seguinte trabalharia e não seria legal passar a noite fora.
Opa! “A noite fora”? Ficamos de marcar alguma coisa na semana seguinte, no sábado, justamente no dia que meu salário entrava.
Já fazia bem um mês que eu não comia ninguém, talvez por isso é que passei a semana ansioso e confesso que na véspera fiquei um tempão sem consegui dormir planejando a noite vindoura. Não encontrava posição confortável na cama, sentia frio depois calor, um aperreio do caralho. Fui até o banheiro, me masturbei, voltei pra cama e peguei no sono.
No outro dia, a caminho do trabalho, aproveitei pra comprar uns preservativos com os últimos reais que me sobravam. Guardei o pacote na mochila. Ia receber dinheiro à tarde, e pelas minhas contas dava até pra levar Suzana pra um motelzinho mais ou menos.
Naquele dia, no entanto, Suzana tava meio evasiva, mal falou comigo. Saiu na hora do almoço, coisa rara de acontecer, e me disse tchau sem olhar.
Vi que quando ela voltou, o segurança de uma loja de sapatos das imediações a acompanhou até certa distância de onde eu me encontrava, posicionou-a de costas para a entrada e, depois de me olhar com cara de nojo, deu um breve beijo na dita cuja. O galado ainda me olhou de novo antes de ir embora. Acho que queria me intimidar, o filho da puta.
Sou magricelo, mas sei me virar numa briga. Deu vontade de ir atrás dele e entrar na porrada até um dos dois desistir.
Suzana entrou na lanchonete com um ar de riso, me olhou e disse que não ia rolar o que a gente tinha combinado. Claro que eu já sabia disso, mas ainda tinha uma esperança de que ela mantivesse o compromisso.
No fim das contas achei até legal ter acontecido aquilo, porque pelo menos eu saberia que não deveria me apegar a ela. Mas ainda queria enrabá-la. Somente isso. Mas pelo jeito, minhas chances tinham ido por água abaixo.
Passei o dia morgado, sem falar muito, sacaneei com um cliente folgado que reclamou da ausência de queijo em seu x-burg. Dei uma cuspida dentro do sanduiche e acrescentei uma fatia de muzzarela.
No fim do expediente Suzana, toda serelepe, teve a cara de pau de me pedir pra aguardar junto com ela a chegada do tal segurança.
- É perigoso eu ficar aqui sozinha - explicou.
Eu sou um bosta mesmo!
Esperei com ela.
Quando o cara vinha a caminho, Suzana teve um estalo, pegou a chave e abriu a porta de rolo da lanchonete enquanto dizia:
- Diz pra ele que esqueci um negócio, volto já.
Ela entrou e eu fiquei a sós com o filho da puta.
- Ela já vem – falei ao mesmo tempo em que me maldizia por ser tão covarde.
Ele me deu as costas e ficava olhando para o relógio de pulso de vez em quando. Agora que eu tava mais calmo, percebi que ele era mais parrudo do que eu tinha achado da primeira vez que o vi. Ficou assobiando com as mãos cruzadas para trás, numa indiferença visível a olho nu. Aquilo me incomodou, sabe!?
O cara estraga meu rolé, tenta me intimidar e ainda fica aqui nessa tranqüilidade toda?! Vai se foder pra deixar de ser otário. Pensa que a vida é um pic-nic, é? – filosofei.
Abri a mochila e, ao colocar a mão dentro, senti a textura da barra de ferro que eu sempre carregava pra cima e pra baixo.
Meu coração disparou enquanto eu me aproximava do cara, que na última hora se virou de frente pra mim. Eu, que segurava a barra de ferro por dentro da bolsa, soltei-a e tateei por dentro da mesma, dissimulando, como se procurasse algo. Meus dedos esbarraram num pacotinho de plástico. Eram as camisinhas que eu havia comprado pela manhã.
- Algum problema, amigo? – ele perguntou.
Puxei o pacote e entreguei pra ele, que sem agradecer guardou no bolso da calça, no mesmo instante que Suzana voltava toda maquiada. Parecia um arremedo de prostituta! Não curto mulher maquiada.
Desejei boa noite pros dois e fui em direção à parada de ônibus me maldizendo por ser tão frouxo. Quando dobrei a esquina, joguei fora a barra de ferro.
Impossível olhar pra ela e não pensar em putaria!
Achava massa quando ela ficava na ponta dos pés, se espremendo entre as cadeiras, segurando a bandeja e ralando involuntariamente a bunda nas costas de quem estivesse sentado. Sua blusa levantava um pouco e era possível ver um pedacinho da barriga.
Suzana me inspirou muita punheta.
Eu trabalhava na cozinha da lanchonete lavando os pratos e fazendo os sanduiches. Era uma merda aquele trabalho, mas eu não reclamava. A vida é uma merda mesmo!
Vez por outra, no entanto, a gente chega a pensar que o mundo é uma maravilha e passa a acreditar em certas baboseiras tais como felicidade e outras idiotices. O bom é que esse tipo de pieguice num instante passa.
Tive essa sensação justamente quando começou a rolar um clima entre mim e Suzana. Não que eu tenha me apaixonado por ela. Na verdade eu só queria comê-la e dispensá-la como habitualmente eu faço com as mulheres que eu pego. Mas a convivência me deu a impressão de que Suzana era o tipo de mulher que valia a pena investir. Era interessante, lia até romance, fazia planos pro futuro e tudo o mais.
À noite, quando saíamos do trabalho eu a acompanhava até a parada de ônibus, pois o centro da cidade é foda. Levava na mochila uma barra de ferro pra me proteger da malandragem, e Suzana se sentia segura do meu lado por causa disso.
Convidei-a para sair numa sexta-feira, mas ela recusou o convite alegando que no dia seguinte trabalharia e não seria legal passar a noite fora.
Opa! “A noite fora”? Ficamos de marcar alguma coisa na semana seguinte, no sábado, justamente no dia que meu salário entrava.
Já fazia bem um mês que eu não comia ninguém, talvez por isso é que passei a semana ansioso e confesso que na véspera fiquei um tempão sem consegui dormir planejando a noite vindoura. Não encontrava posição confortável na cama, sentia frio depois calor, um aperreio do caralho. Fui até o banheiro, me masturbei, voltei pra cama e peguei no sono.
No outro dia, a caminho do trabalho, aproveitei pra comprar uns preservativos com os últimos reais que me sobravam. Guardei o pacote na mochila. Ia receber dinheiro à tarde, e pelas minhas contas dava até pra levar Suzana pra um motelzinho mais ou menos.
Naquele dia, no entanto, Suzana tava meio evasiva, mal falou comigo. Saiu na hora do almoço, coisa rara de acontecer, e me disse tchau sem olhar.
Vi que quando ela voltou, o segurança de uma loja de sapatos das imediações a acompanhou até certa distância de onde eu me encontrava, posicionou-a de costas para a entrada e, depois de me olhar com cara de nojo, deu um breve beijo na dita cuja. O galado ainda me olhou de novo antes de ir embora. Acho que queria me intimidar, o filho da puta.
Sou magricelo, mas sei me virar numa briga. Deu vontade de ir atrás dele e entrar na porrada até um dos dois desistir.
Suzana entrou na lanchonete com um ar de riso, me olhou e disse que não ia rolar o que a gente tinha combinado. Claro que eu já sabia disso, mas ainda tinha uma esperança de que ela mantivesse o compromisso.
No fim das contas achei até legal ter acontecido aquilo, porque pelo menos eu saberia que não deveria me apegar a ela. Mas ainda queria enrabá-la. Somente isso. Mas pelo jeito, minhas chances tinham ido por água abaixo.
Passei o dia morgado, sem falar muito, sacaneei com um cliente folgado que reclamou da ausência de queijo em seu x-burg. Dei uma cuspida dentro do sanduiche e acrescentei uma fatia de muzzarela.
No fim do expediente Suzana, toda serelepe, teve a cara de pau de me pedir pra aguardar junto com ela a chegada do tal segurança.
- É perigoso eu ficar aqui sozinha - explicou.
Eu sou um bosta mesmo!
Esperei com ela.
Quando o cara vinha a caminho, Suzana teve um estalo, pegou a chave e abriu a porta de rolo da lanchonete enquanto dizia:
- Diz pra ele que esqueci um negócio, volto já.
Ela entrou e eu fiquei a sós com o filho da puta.
- Ela já vem – falei ao mesmo tempo em que me maldizia por ser tão covarde.
Ele me deu as costas e ficava olhando para o relógio de pulso de vez em quando. Agora que eu tava mais calmo, percebi que ele era mais parrudo do que eu tinha achado da primeira vez que o vi. Ficou assobiando com as mãos cruzadas para trás, numa indiferença visível a olho nu. Aquilo me incomodou, sabe!?
O cara estraga meu rolé, tenta me intimidar e ainda fica aqui nessa tranqüilidade toda?! Vai se foder pra deixar de ser otário. Pensa que a vida é um pic-nic, é? – filosofei.
Abri a mochila e, ao colocar a mão dentro, senti a textura da barra de ferro que eu sempre carregava pra cima e pra baixo.
Meu coração disparou enquanto eu me aproximava do cara, que na última hora se virou de frente pra mim. Eu, que segurava a barra de ferro por dentro da bolsa, soltei-a e tateei por dentro da mesma, dissimulando, como se procurasse algo. Meus dedos esbarraram num pacotinho de plástico. Eram as camisinhas que eu havia comprado pela manhã.
- Algum problema, amigo? – ele perguntou.
Puxei o pacote e entreguei pra ele, que sem agradecer guardou no bolso da calça, no mesmo instante que Suzana voltava toda maquiada. Parecia um arremedo de prostituta! Não curto mulher maquiada.
Desejei boa noite pros dois e fui em direção à parada de ônibus me maldizendo por ser tão frouxo. Quando dobrei a esquina, joguei fora a barra de ferro.


2 comentários:
caralho, bicho... leitura boa da porra!
*vamos conversar sobre a revista no balcão do bar - te mando e-mail pra dizer o dia
Mais gostosa que a fogueteira e saracoteante Suzana é o prazer de ler um texto tão bem feito, de arestas aparadas.....enfim, fodástico, que tu escrevestes.
Ganhei meu dia!
O legal seria tu "desvirginar" esse teu "cacete metálico" que tu guardava dentro da tua mochila. Primeiro no parrudo que embargou teu esquema e depois na gostosa que ficou de mimo e não deu (nela, esse e outro cacete)
hahahaha
Extremamente louvável. Tesão de texto!
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