Lembro da ocasião na qual me perguntaram se, caso reencarnasse, o que gostaria de ser. Respondi sem hesitar que me contentaria em reencarnar como o Vinícius de Moraes, ou Chico Buarque, tendo em vista o fato de nessa vida, vez por outra, me fazer passar por poeta na esperança de que tal dissimulação me ajude a conquistar mais mulheres.
Infelizmente não vem dando muito certo, mas com os dois mencionados escritores funciona (e funcionou, no primeiro caso).
Fiquei, então, curioso em saber o que fui na vida passada, e me consultei com uma cartomante sobre o assunto.
Para minha decepção, fiquei sabendo que noutra encarnação eu era um gato vira-latas na então Tchecoslováquia.
A desvantagem de ser um gato vira-latas é que você gasta sete encarnações sem deixar de ser quem é até então.
A cartomante me revelou que, já na infância, morri de inanição, logo depois fui apedrejado por moleques das ruas de Praga, gastando assim minha segunda vida.
A terceira e a quarta vida findaram-se de fome e frio, respectivamente. E duas vezes cometi suicídio, até que fui adotado por uma família de judeus, na casa de quem morri de calazar aos seis anos de idade.
Hoje em dia sou feliz por ter, em minha oitava vida, vindo a este mundo como um ser humano e poder escrever, vez por outra, um poema vagabundo, apesar de os mesmos não terem me servido muito, até o momento, para seduzir as mulheres.
E para minha completa decepção, a cartomante me disse que a probabilidade de eu reencarnar como Vinícius de Morais ou Chico Buarque é quase igual a zero.
28 Maio, 2010
Vidas passadas
escrito por
Emanuel Grilo
às
16:07
Assinar:
Postar comentários (Atom)


0 comentários:
Postar um comentário