10 Maio, 2010

Produção literária.


Ouvi algumas cobranças ultimamente a respeito da minha falta de assiduidade no que se refere às postagens deste blog.
Confesso que tal fato me deixou lisonjeado, haja vista meus leitores demonstrarem ansiedade para lerem meus textos aqui.
Motivado por tal fato, tomei a decisão de escrever com mais freqüência, o que acabou me trazendo alguns problemas.
Pensei em escrever textos mais elaborados, com conteúdo literário de verdade, para atender as expectativas daqueles que perdem alguns minutos do dia lendo este singelo Cavalo Verde, e decidi, enfim, me tornar um escritor de verdade.
Por isso comprei uma máquina de escrever que carrego comigo aonde vou.
Não posso me dar ao luxo de deixá-la em casa, pois, como dizem todos os velhos escritores, a inspiração pode vir a qualquer momento, e seria decepcionante ser acometido por inspiração e não ter uma máquina de escrever a disposição.
Me deparei, por conseguinte, com dois problemas: O primeiro é que a máquina é muito pesada e incomoda pra caralho carregá-la pra todo canto. O outro problema é que eu nunca fiz curso de datilográfica, o que torna a máquina de escreve totalmente inútil para mim.
Mesmo sem saber usar minha máquina de escrever, ando com ela a tiracolo, mas confesso que fiquei decepcionado por não ter encontrado nenhum curso de datilografia para me matricular.
Como me encontro impossibilitado de escrever, pelos motivos acima descritos, decidi, para me tornar um escritor, adquirir alguns hábitos, tais como fumar orégano por exemplo.
Na verdade, minha intenção era fumar haxixe ou ópio, mas como não me sinto muito a vontade em ir comprar drogas em boca-de-fumo, decidi fumar orégano mesmo.
Comprei um cachimbo, um chapéu a La Fernando Pessoa, mas mesmo assim ainda não consegui obter a reputação de escritor que pretendo.
Passei a freqüentar os cafés da cidade para discutir literatura contemporânea, o que tem me tomado tempo em demasia. E é justamente por isso que não venho encontrando tempo para escrever.
Mas apesar dos pesares, e muito embora eu não tenha escrito nada que valha a pena ler nos últimos tempos, tenho esperança de ao menos ser indicado ao premio Jabuti do ano que vem.
Enquanto a indicação ao prêmio não vem, continuo por aí fazendo pose de escritor na esperança de ter meu talento reconhecido um dia.
Já falei do incômodo que é carregar a minha máquina de escrever, o que já me suscitou algumas vezes planos de abandonar de vez a literatura. O que tem me mantido entusiasmado em prosseguir minha carreira literária é, na verdade, não o amor à literatura em si, mas o fato de eu ter me viciado em orégano, além de me achar deveras elegante quando uso o chapéu igual ao de Pessoa.

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