06 Maio, 2010

Les demoiselles D’avignon


Postei um texto agora à tarde, mas fui praticamente obrigado a retirá-lo do ar após receber um telefonema e um e-mail desaforados.
Lamentável essa falta de compreensão feminina, que às vezes compromete a liberdade de pensamento de seus consortes, definindo, geralmente, determinada criação destes com frases do tipo: Você escreveu aquilo se lembrando das putas!
Hoje sei o que é ser vítima disso!
Ainda bem que meu hábito de escrever neste blog não é nada mais que um passa tempo, por isso, cercear minha liberdade de expressão não acarretará maiores prejuízos para a humanidade.
Mas um exemplo antológico das conseqüências nefastas da influência do ciúme feminino na obra de um artista pode ser encontrada em Pablo Picasso. O quadro aí de cima, por exemplo, teve que ter o nome trocado, dizem alguns historiadores, graças ao ciúme de uma das amantes do grande artista espanhol.
Após concluído, o quadro deveria se chamar Les chiennes D’avignon. Mas ao tomar conhecimento de tal fato, a ciumenta amante mencionada correu até a casa de Picasso e, com gritos histéricos, exigiu que o nome da obra fosse mudado.
- Não admito, dizia ela, que você homenageie aquelas vagabundas!
Resultado: Picasso acabou mudando o nome da tela para Les demoiselles D’avignon, o que não faz lá muito sentido, uma vez que está evidente que as mulheres retratadas ali são putas, não donzelas.
Para evitar problemas de hoje em diante, tentarei imitar Picasso. Vou dissimular minhas estórias, talvez trocando prostitutas por freiras, ou coisas do tipo. Talvez ninguém perceba do que realmente se trata.

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