AMORhumor
A menor poesia do mundo, é o ápice genial de um dos livros de Oswald de Andrade. Pra poder falar o livro do Bia, eu somaria a esta poesia Shakespeare e Drummond:
"Há mais mistérios entre o céu ea terra do que possa imaginar nossa vã filosofia”
e
“O amor foge a dicionários ea regulamentos vários"
São o tipo de versos que Sexo Anal [uma novela marrom] faz lembrar. Um livro que expões as safadezas pequenas e grandes dos personagens. Aborda-as de tal maneira que, dependendo do tipo de leitor que é você, te faz se sentir um hipócrita, pervertido ou simplesmente uma pessoa normal.
“O cu é marrom, a merda é marrom, a imprensa é marrom e até a terra, pra onde agente vai debaixo no fim, é marrom”.
Que a imprensa, as merdas e a morte não tenham cor, tudo bem, mas o cu bem que poderia ter uma adjetivação mais carinhosa, tal como rubro, róseo ou violáceo. Mas se o tivesse, o livro do Bia Jhones não teria o título Sexo Anal, nem mereceria ser livro. Esta frase que vem bem no meio livro, dita por um dos personagens, expressa o tédio provocado por um mundo que trata sentimentos como o amor e o sexo através de rótulos. Não sabendo rotular sequer o primeiro, acha-se especialista nas regras do segundo. O Bia, em seu livro, mostra esta cínica ilusão.
Num lugar de gente rica e refinada como é o aeroporto, eu com este livro nas mãos, fiquei intrigado porque as pessoas me olhavam desconfiadas. Ora, quem esperar deste livro uma dessas historinhas de sacanagem vai quebrar a cara. Não tente procurar personagens depravados e histórias que só acontecem nos filmes pornôs. São pessoas normais como eu, você e ela tentando descobrir os valores do amor em fatos que acontecem no cotidiano de qualquer um. É sim erótico, mas é muito mais do que isso, é excitante. Inteligente e bem construído.
Escuto muito dizer que o Brasil está carente de novos talentos literários. Há, no entanto, dois notórios grupos de novos autores:
> um que atende aos interesses mercadológicos; responsável pelo bestes seles nacionais, onde se encaixam Paulo Coelho, Bruna Surfistinha e Jô Soares
> e outro composto por pélas-saco que vivem pelos festivais e congressos se auto-anunciando bons simplesmente porque são novos e querem reinventar a arte; dos cujos sequer me dou o trabalho de memorizar seus nomes.
Bia Jhones, graças a Alá, não está nessa dualidade imbecil. Sua narrativa direta chega a sugerir um autor despretensioso, mostrando de forma simples um talento do nível de poucos grandes artistas nacionais da atualidade.
Ele é desses autores que merecem que um trabalhador de salário mínimo tire R$ 20,00 para comprar um livro e leve-o para degustar em casa.


4 comentários:
Ainda bem que o Erick fez a resenha do livro por que eu não conseguiria fazer nada melhor que isso.
aí, erick, obrigado mesmo pela resenha, pelas palavras elogiosas aí.
:>)
grande abraço, espero que as editoras façam essas mesmas observações e acabem por lançar O DITO.
[]s
Epa, tem o livro pra venda??? Como faço pra comprar?
Leo, tem mais não.
falei com o bia e ele disse que acabou. torce pra alguma boa editora lançar, assim vc pode ter um exemplar em 'carne e osso'. ;)
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