07 Janeiro, 2010

Feliz ano novo.


Estou viajando para tirar férias numa praia de nudismo e só retorno em fevereiro. E para inaugurar 2010 com chave de ouro, deixo com vocês o célebre conto de Rubem Fonseca.

Auf wiedersehen.

Feliz Ano Novo
Por Rubem Fonseca

Vi na televisão que as lojas bacanas estavam vendendo adoidado roupas ricas para as madames vestirem no reveillon. Vi também que as casas de artigos finos para comer e beber tinham vendido todo o estoque.
Pereba, vou ter que esperar o dia raiar e apanhar cachaça, galinha morta e farofa dos macumbeiros.
Pereba entrou no banheiro e disse, que fedor.
Vai mijar noutro lugar, tô sem água.
Pereba saiu e foi mijar na escada.
Onde você afanou a TV, Pereba perguntou.
Afanei, porra nenhuma. Comprei. O recibo está bem em cima dela. Ô Pereba! você pensa que eu sou algum babaquara para ter coisa estarrada no meu cafofo?
Tô morrendo de fome, disse Pereba.
De manhã a gente enche a barriga com os despachos dos babalaôs, eu disse, só de sacanagem.
Não conte comigo, disse Pereba. Lembra-se do Crispim? Deu um bico numa macumba aqui na Borges de Medeiros, a perna ficou preta, cortaram no Miguel Couto e tá ele aí, fudidão, andando de muleta.
Pereba sempre foi supersticioso. Eu não. Tenho ginásio, sei ler, escrever e fazer raiz quadrada. Chuto a macumba que quiser.
Acendemos uns baseados e ficamos vendo a novela. Merda. Mudamos de canal, prum bang bang, Outra bosta.
As madames granfas tão todas de roupa nova, vão entrar o ano novo dançando com os braços pro alto, já viu como as branquelas dançam? Levantam os braços pro alto, acho que é pra mostrar o sovaco, elas querem mesmo é mostrar a boceta mas não têm culhão e mostram o sovaco. Todas corneiam os maridos. Você sabia que a vida delas é dar a xoxota por aí?
Pena que não tão dando pra gente, disse Pereba. Ele falava devagar, gozador, cansado, doente.
Pereba, você não tem dentes, é vesgo, preto e pobre, você acha que as madames vão dar pra você? Ô Pereba, o máximo que você pode fazer é tocar uma punheta. Fecha os olhos e manda brasa.
Eu queria ser rico, sair da merda em que estava metido! Tanta gente rica e eu fudido. Zequinha entrou na sala, viu Pereba tocando punheta e disse, que é isso Pereba?
Michou, michou, assim não é possível, disse Pereba.
Por que você não foi para o banheiro descascar sua bronha?, disse Zequinha.
No banheiro tá um fedor danado, disse Pereba. Tô sem água.
As mulheres aqui do conjunto não estão mais dando?, perguntou Zequinha.
Ele tava homenageando uma loura bacana, de vestido de baile e cheia de jóias.
Ela tava nua, disse Pereba.
Já vi que vocês tão na merda, disse Zequinha.
Ele tá querendo comer restos de Iemanjá, disse Pereba.
Brincadeira, eu disse. Afinal, eu e Zequinha tínhamos assaltado um supermercado no Leblon, não tinha dado muita grana, mas passamos um tempão em São Paulo na boca do lixo, bebendo e comendo as mulheres. A gente se respeitava.
Pra falar a verdade a maré também não tá boa pro meu lado, disse Zequinha. A barra ta pesada. Os homens não tão brincando, viu o que fizeram com o Bom Crioulo? Dezesseis tiros no quengo. Pegaram o Vevé e estrangularam. O Minhoca, porra! O Minhoca! crescemos juntos em Caxias, o cara era tão míope que não enxergava daqui até ali, e também era meio gago - pegaram ele e jogaram dentro do Guandu, todo arrebentado.
Pior foi com o Tripé. Tacaram fogo nele. Virou torresmo. Os homens não tão dando sopa, disse Pereba. E frango de macumba eu não como.
Depois de amanhã vocês vão ver. Vão ver o que?, perguntou Zequinha.
Só tô esperando o Lambreta chegar de São Paulo.
Porra, tu tá transando com o Lambreta?, disse Zequinha.
As ferramentas dele tão todas aqui.
Aqui!?, disse Zequinha. Você tá louco.
Eu ri.
Quais são os ferros que você tem?, perguntou Zequinha. Uma Thompson lata de goiabada,
uma carabina doze, de cano serrado, e duas magnum.
Puta que pariu, disse Zequinha. E vocês montados nessa baba tão aqui tocando punheta?
Esperando o dia raiar para comer farofa de macumba, disse Pereba. Ele faria sucesso falando daquele jeito na TV, ia matar as pessoas de rir.
Fumamos. Esvaziamos uma pitu.
Posso ver o material?, disse Zequinha.
Descemos pelas escadas, o elevador não funcionava e fomos no apartamento de Dona Candinha. Batemos. A velha abriu a porta.
Dona Candinha, boa noite, vim apanhar aquele pacote.
O Lambreta já chegou?, disse a preta velha.
Já, eu disse, está lá em cima.
A velha trouxe o pacote, caminhando com esforço. O peso era demais para ela. Cuidado, meus filhos, ela disse.
Subimos pelas escadas e voltamos para o meu apartamento. Abri o pacote. Armei primeiro a lata de goiabada e dei pro Zequinha segurar. Me amarro nessa máquina, tarratátátátá!, disse Zequinha.
É antiga mas não falha, eu disse. Zequinha pegou a magnum. Jóia, jóia, ele disse. Depois segurou a doze, colocou a culatra no ombro e disse: ainda dou um tiro com esta belezinha nos peitos de um tira, bem de perto, sabe como é, pra jogar o puto de costas na parede e deixar ele pregado lá.
Botamos tudo em cima da mesa e ficamos olhando. Fumamos mais um pouco.
Quando é que vocês vão usar o material?, disse Zequinha.
Dia 2. Vamos estourar um banco na Penha. O Lambreta quer fazer o primeiro gol do ano.
Ele é um cara vaidoso, disse Zequinha.
É vaidoso mas merece. Já trabalhou em São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Vitória, Niterói, pra não falar aqui no Rio. Mais de trinta bancos.
É, mas dizem que ele dá o bozó, disse Zequinha.
Não sei se dá, nem tenho peito de perguntar. Pra cima de mim nunca veio com frescuras.
Você já viu ele com mulher?, disse Zequinha.
Não, nunca vi. Sei lá, pode ser verdade, mas que importa?
Homem não deve dar o cu. Ainda mais um cara importante como o Lambreta, disse Zequinha.
Cara importante faz o que quer, eu disse.
É verdade, disse Zequinha.
Ficamos calados, fumando.
Os ferros na mão e a gente nada, disse Zequinha.
O material é do Lambreta. E aonde é que a gente ia usar ele numa hora destas?
Zequinha chupou ar fingindo que tinha coisas entre os dentes. Acho que ele também estava com fome.
Eu tava pensando a gente invadir uma casa bacana que tá dando festa. O mulherio tá cheio de jóia e eu tenho um cara que compra tudo que eu levar. E os barbados tão cheios de grana na carteira. Você sabe que tem anel que vale cinco milhas e colar de quinze, nesse intruja que eu conheço? Ele paga na hora.
O fumo acabou. A cachaça também. Começou a chover. Lá se foi a tua farofa, disse Pereba.
Que casa? Você tem alguma em vista?
Não, mas tá cheio de casa de rico por aí. A gente puxa um carro e sai procurando.
Coloquei a lata de goiabada numa saca ele feira, junto com a munição. Dei uma magnum pro Pereba, outra pro Zequinha. Prendi a carabina no cinto, o cano para baixo e vesti uma capa. Apanhei três meias de mulher e uma tesoura. Vamos, eu disse.
Puxamos um Opala. Seguimos para os lados de São Conrado. Passamos várias casas que não davam pé, ou tavam muito perto da rua ou tinham gente demais. Até que achamos o lugar perfeito. Tinha na frente um jardim grande e a casa ficava lá no fundo, isolada. A gente ouvia barulho de música de carnaval, mas poucas vozes cantando. Botamos as meias na cara. Cortei com a tesoura os buracos dos olhos. Entramos pela porta principal.
Eles estavam bebendo e dançando num salão quando viram a gente.
É um assalto, gritei bem alto, para abafar o som da vitrola. Se vocês ficarem quietos ninguém se machuca. Você aí, apaga essa porra dessa vitrola!
Pereba e Zequinha foram procurar os empregados e vieram com três garções e duas cozinheiras. Deita todo mundo, eu disse.
Contei. Eram vinte e cinco pessoas. Todos deitados em silêncio, quietos, como se não estivessem sendo vistos nem vendo nada.
Tem mais alguém em casa?, eu perguntei.
Minha mãe. Ela está lá em cima no quarto. É uma senhora doente, disse uma mulher toda enfeitada, de vestido longo vermelho. Devia ser a dona da casa.
Crianças?
Estão em Cabo Frio, com os tios.
Gonçalves, vai lá em cima com a gordinha e traz a mãe dela.
Gonçalves?, disse Pereba.
É você mesmo. Tu não sabe mais o teu nome, ô burro? Pereba pegou a mulher e subiu as escadas.
Inocêncio, amarra os barbados.
Zequinha amarrou os caras usando cintos, fios de cortinas, fios de telefones, tudo que encontrou.
Revistamos os sujeitos. Muito pouca grana. Os putos estavam cheios de cartões de crédito e talões de cheques. Os relógios eram bons, de ouro e platina. Arrancamos as jóias das mulheres. Um bocado de ouro e brilhante. Botamos tudo na saca.
Pereba desceu as escadas sozinho.
Cadê as mulheres?, eu disse.
Engrossaram e eu tive que botar respeito.
Subi. A gordinha estava na cama, as roupas rasgadas, a língua de fora. Mortinha. Pra que ficou de flozô e não deu logo? O Pereba tava atrasado. Além de fudida, mal paga. Limpei as jóias. A velha tava no corredor, caída no chão. Também tinha batido as botas. Toda penteada, aquele cabelão armado, pintado de louro, de roupa nova, rosto encarquilhado, esperando o ano novo, mas já tava mais pra lá do que pra cá. Acho que morreu de susto. Arranquei os colares, broches e anéis. Tinha um anel que não saía. Com nojo, molhei de saliva o dedo da velha, mas mesmo assim o anel não saía. Fiquei puto e dei uma dentada, arrancando o dedo dela. Enfiei tudo dentro de uma fronha. O quarto da gordinha tinha as paredes forradas de couro. A banheira era um buraco quadrado grande de mármore branco, enfiado no chão. A parede toda de espelhos. Tudo perfumado. Voltei para o quarto, empurrei a gordinha para o chão, arrumei a colcha de cetim da cama com cuidado, ela ficou lisinha, brilhando. Tirei as calças e caguei em cima da colcha. Foi um alívio, muito legal. Depois limpei o cu na colcha, botei as calças e desci.
Vamos comer, eu disse, botando a fronha dentro da saca. Os homens e mulheres no chão estavam todos quietos e encagaçados, como carneirinhos. Para assustar ainda mais eu disse, o puto que se mexer eu estouro os miolos.
Então, de repente, um deles disse, calmamente, não se irritem, levem o que quiserem não faremos nada.
Fiquei olhando para ele. Usava um lenço de seda colorida em volta do pescoço.
Podem também comer e beber à vontade, ele disse.
Filha da puta. As bebidas, as comidas, as jóias, o dinheiro, tudo aquilo para eles era migalha. Tinham muito mais no banco. Para eles, nós não passávamos de três moscas no açucareiro.
Como é seu nome?
Maurício, ele disse.
Seu Maurício, o senhor quer se levantar, por favor?
Ele se levantou. Desamarrei os braços dele.
Muito obrigado, ele disse. Vê-se que o senhor é um homem educado, instruído. Os senhores podem ir embora, que não daremos queixa à polícia. Ele disse isso olhando para os outros, que estavam quietos apavorados no chão, e fazendo um gesto com as mãos abertas, como quem diz, calma minha gente, já levei este bunda suja no papo. Inocêncio, você já acabou de comer? Me traz uma perna de peru dessas aí. Em cima de uma mesa tinha comida que dava para alimentar o presídio inteiro. Comi a perna de peru. Apanhei a carabina doze e carreguei os dois canos.
Seu Maurício, quer fazer o favor de chegar perto da parede? Ele se encostou na parede. Encostado não, não, uns dois metros de distância. Mais um pouquinho para cá. Aí. Muito obrigado.
Atirei bem no meio do peito dele, esvaziando os dois canos, aquele tremendo trovão. O impacto jogou o cara com força contra a parede. Ele foi escorregando lentamente e ficou sentado no chão. No peito dele tinha um buraco que dava para colocar um panetone.
Viu, não grudou o cara na parede, porra nenhuma.
Tem que ser na madeira, numa porta. Parede não dá, Zequinha disse.
Os caras deitados no chão estavam de olhos fechados, nem se mexiam. Não se ouvia nada, a não ser os arrotos do Pereba.
Você aí, levante-se, disse Zequinha. O sacana tinha escolhido um cara magrinho, de cabelos compridos.
Por favor, o sujeito disse, bem baixinho. Fica de costas para a parede, disse Zequinha. Carreguei os dois canos da doze. Atira você, o coice dela machucou o meu ombro. Apóia bem a culatra senão ela te quebra a clavícula.
Vê como esse vai grudar. Zequinha atirou. O cara voou, os pés saíram do chão, foi bonito, como se ele tivesse dado um salto para trás. Bateu com estrondo na porta e ficou ali grudado.
Foi pouco tempo, mas o corpo do cara ficou preso pelo chumbo grosso na madeira.
Eu não disse? Zequinha esfregou ó ombro dolorido. Esse canhão é foda.
Não vais comer uma bacana destas?, perguntou Pereba.
Não estou a fim. Tenho nojo dessas mulheres. Tô cagando pra elas. Só como mulher que eu gosto.
E você... Inocêncio?
Acho que vou papar aquela moreninha.
A garota tentou atrapalhar, mas Zequinha deu uns murros nos cornos dela, ela sossegou e ficou quieta, de olhos abertos, olhando para o teto, enquanto era executada no sofá.
Vamos embora, eu disse. Enchemos toalhas e fronhas com comidas e objetos.
Muito obrigado pela cooperação de todos, eu disse. Ninguém respondeu.
Saímos. Entramos no Opala e voltamos para casa.
Disse para o Pereba, larga o rodante numa rua deserta de Botafogo, pega um táxi e volta. Eu e Zequinha saltamos.
Este edifício está mesmo fudido, disse Zequinha, enquanto subíamos, com o material, pelas escadas imundas e arrebentadas.
Fudido mas é Zona Sul, perto da praia. Tás querendo que eu vá morar em Vilópolis?
Chegamos lá em cima cansados. Botei as ferramentas no pacote, as jóias e o dinheiro na saca e levei para o apartamento da preta velha.
Dona Candinha, eu disse, mostrando a saca, é coisa quente.
Pode deixar, meus filhos. Os homens aqui não vêm. Subimos. Coloquei as garrafas e as comidas em cima de uma toalha no chão. Zequinha quis beber e eu não deixei. Vamos esperar o Pereba.
Quando o Pereba chegou, eu enchi os copos e disse, que o próximo ano seja melhor. Feliz Ano Novo.

Texto extraído do livro "Feliz Ano Novo", Editora Artenova – Rio de Janeiro, 1975.

29 Dezembro, 2009

“O livro negro do trotskysmo” chega ao Brasil em 2010.




Uma década após ser publicado em países da antiga União Soviética, chega ao Brasil o polêmico livro do jornalista Ucraniano Yuri Maleeiv, intitulado “O livro negro do trotskysmo”.
Traduzido pelo professor da Universidade de São Paulo, Abelardo C. Andolinni, a obra deverá chegar às livrarias de todo o país no início de janeiro próximo.
“Mais que um simples relato histórico de suma importância, ‘O livro negro do trotskysmo’ trás a lume fatos que devem ser esclarecidos, tais como a aliança da chamada Quarta Internacional – fundada por Leon Trotsky – com o partido de Hitler” afirma o professor C. Andolinni.
Ferozmente atacado por intelectuais trotskystas, “O livro negro do trotskysmo” já vendeu em torno de um milhão e meio de exemplares e foi traduzido para nove idiomas desde sua primeira edição em maio de 1999, na Ucrânia.
Com prefácio de Ludo Martens, presidente do Partido do Trabalho da Bélgica, o livro será vendido pelo valor de R$ 30,00.

Mais informações aqui.

Chuva de granizo quase impede realização de passeata contra o aquecimento global.


Dois dias após o término da Conferência de Copenhangue, manifestantes de várias capitais brasileiras, entre as quais São Paulo e Belo Horizonte, que pretendiam realizar um protesto contra o aquecimento global, foram surpreendidos por forte chuva de granizo.
“Consideramos insatisfatórios os acordos realizados na capital dinamarquesa no que se refere a conter a emissão de poluentes. Precisamos salvar o planeta!” afirma o estudante de biologia Gutembergue dos Santos Marcolino, um dos idealizadores do ato. “Trafegávamos pela rodovia Candido Portinari em direção a São Paulo, quando começou a chover granizo. Não tivemos como continuar nossa viagem, por isso iremos remarcar nossa manifestação para outra data” concluiu decepcionado o estudante.
Em Belo Horizonte, capital mineira, centenas de estudantes que se concentravam em frente ao consulado dos Estrados Unidos em protesto contra o posicionamento do presidente Obama em Copenhague, tiveram que se dispersar em função da chuva de granizo.
“Fomos pegos de surpresa, mas providenciamos uns guarda-chuvas, e assim que amenizou (a chuva de granizo), tornamos a ocupar as ruas” asseverou a estudante Janicleide Gomes, que participava da manifestação.
Portando faixas e placas com frases de protesto, tais como; “Bla bla bla – ACT NOW” e “Obama, right city, wrong date?”, os manifestantes se revezavam no microfone proferindo discursos inflamados, sob o olhar vigilante da polícia militar, que acompanhava de longe o protesto. “Apesar do frio e da chuva de granizo, conseguimos protestar contra a ameaça do aquecimento global” comemorou Michele Ubirajara Sá, estudante de ciências sociais da UFMG.
A chuva de granizo em Minas Gerais destruiu carros e casas. Já em São Paulo, causou destruição de plantações, além de deixar a rodovia Candido Portinari intrafegável.
A previsão dos meteorologistas é que o verão deste ano será um dos mais quentes da década.


Confira mais detalhes aqui.

09 Dezembro, 2009

Prozac Bar.


Tirei como meta, esses últimos dias, me tornar um cara mais violento. E como todo cara violento que se preze, fui a um bar procurar uma briga.
Como não sei brigar muito bem, evitei ir a bares freqüentados por aqueles caras de academia de jiu-jitso, pois eu levaria desvantagem caso decidisse sair na porrada com um deles, e justamente por isso, fui a procurar um bar adequado, com possíveis adversários mais fáceis de derrotar.
Primeiro passei no baile da terceira idade e fiquei observando entre os presentes quem poderia ser meu contendor.
Escolhi um velhinho elegante que, apoiado numa bengala, tomava uma dose de gim.
Me aproximei e o xinguei a queima-roupa! Mas o coitado, provavelmente meio surdo, apertou minha mão a sorrir e disse: Na segunda porta à esquerda, entrando no corredor.
Dirigi-me ao local indicado pelo simpático senhor e me deparei com um aviso na porta: “Entrada privativa de funcionários”.
Fui-me embora decepcionado por não ter obtido êxito em minha empreitada, mas para minha felicidade, encontrei no caminho o Prozac bar. Reparei do lado de fora que não havia nenhum segurança, rumei para o balcão e percebi então que os freqüentados do estabelecimento eram, preponderantemente, universitários, pseudo-intelectuais sedentários, artistas e porra-loucas.
Tratei imediatamente de arranjar uma polêmica com uns caras de uma mesa, que falavam sobre poesia contemporânea.
- Cumpadre Washington, falei, é o maior poeta de nosso tempo!
Aguardei alguém apresentar divergência para, então, partir pra porrada, quando escutei uma voz feminina:
- Concordo. Acho inclusive muito semelhante com os poemas do modernismo brasileiro alguns recursos que ele utiliza. A sinestesia, por exemplo, daquela estrofe famosa, “olha o grito do Tarzan”, lembra muito uma passagem de Memórias Sentimentais de João Miramar, onde Oswald fala algo mais ou menos como “observando o barulho dos automóveis.” A influência é explicita! Fiquei sabendo que Chomsky publicou um ensaio recentemente, e quando fala sobre onomatopéia, cita aquele outro verso, “Rala ralando o tchan aê!”
Envolvido em considerações literárias tão interessantes, acabei perdendo a vontade de me envolver em confusão, pedi um cerveja e dois copos, e me pus a conversar com a garota.
Parabenizei Eduardo, um dos donos do bar em sociedade com Eline, sua namorada, pelo estabelecimento e prometi que da próxima vez que eu aparecesse por lá, o presentearia com um CD de Cumpadre Washington.
- Pra tocar em sua radiola, sabe!? – Disse eu - Acho que os clientes vão curtir!
Ele me olhou com estranheza tal, que até fiquei meio constrangido. Dirigi-me à porta de saída e fingi não ouvir quando ele gritou do balcão:
- Grilo! Grilo, falta pagar a conta!

01 Dezembro, 2009

Big Brother Brasil dois

Quando ela voltou do banheiro eu, deitado no sofá, bebia cerveja com bolacha cream cracker enquanto assistia um reality show na TV.
- Tu não fica agoniado não, quando não lava o pau depois de fazer sexo? Me perguntou.
- Só depois que amolece, respondi.
Ela calou-se taciturna e, após alguns segundos hirta no meio da sala, virou-se e foi pro quarto dormir.
Naquela noite adormeci sem escovar os dentes e acordei no outro dia me sentindo o próprio Homer Simpsom.

19 Novembro, 2009

Aquecimento global

Laka me sugeriu, em minha postagem sobre o Prêmio Nobel, fazermos um protesto contra a injustiça sofrida por minha pessoa, que sequer fui indicado para ganhar tal regalo.
Fico muito grato pela solidariedade, mas necessito deixar claro imediatamente que sou contra qualquer tipo de protesto!
Não que eu me enquadre naquele batido rótulo de “reacionário”, mas guardo péssimas lembranças da época em que participei de protestos.
Pouca gente se lembra, mas essa discussão, muito em voga hoje em dia, a respeito do aquecimento global foi, infelizmente, inaugurada por mim.
Sim, peço desculpas a todos que atualmente são obrigados a aturar discursos chatos de ecologistas desocupados que não perdem uma oportunidade para discorrer sobre tal assunto.
Mas a minha contribuição, digamos assim, para tal assunto, se deu de maneira inesperada e involuntária.
Tudo começou quando eu fui procurar emprego de ator de filmes pornográficos. Preparei meu currículo para enviar à Brasileirinhas. Era um currículo razoável; já fiz teatro durante uns anos na adolescência, aulas de sapateado e balé clássico, aulas de canto, enfim, de tudo um pouco que um ator talentoso deve saber para interpretar bem os personagens que incorpora.
O problema mesmo se deu quando fui bater a 3x4 para anexa à papelada. Eu sei que atualmente não é recomendável colocar fotos em currículos, mas quando me informei a respeito, fiquei sabendo que, estranhamente, em todas as empresas de filmes pornográficos se exige fotos, e o que é mais estranho, de corpo inteiro e nu!
Fui até o fotógrafo que, após eu explicar o motivo pelo qual eu deveria sair de corpo inteiro e nu na 3x4, não fez objeção, apesar de ter me olhado com uma cara de espanto indisfarçável.
O problema é que o fotografo para qual me dirigi era uma daqueles que trabalham na rua, e aí, quando a polícia chegou para me prender, foi impossívem explicar por qual motivo eu estava nu em praça pública.
Me levaram à delegacia e, para tentar melhorar minha situação, falei ao delegado que tirei a roupa no meio da rua, na verdade, para protestar contra o aquecimento global.
Tudo bem então, me disse o delegado coçando o bigode, mas como você foi preso em flagrante delito, vai ter que passar a noite na delegacia, a não ser que queira pagar fiança.
Como eu não tinha o dinheiro da fiança, acabei tendo que dormir na cela. O foda foi ter que dormir só de cuecas no chão úmido, com um frio do caralho, e ainda tendo que ouvir piadas de um agente: - Tá com frio? Agora você vai ser a favor do aquecimento global, seu baderneiro – Esses policiais adoram essa palavra!
Quando saí da delegacia, recebi milhares de e-mails de ecologistas prestando solidariedade a mim e em apoio a “minha causa ecologicamente correta”.
Mesmo após a fama que isso tudo me proporcionou, desde então, tenho me recusado a participar de protestos.

04 Novembro, 2009

A tabela da putada.

Festival universitário de curtas. Programação completa aqui.

21 Outubro, 2009

Breves considerções a respeito do Prêmio Nobel.


Acabo de desfazer minhas malas.
Não, não viajei. Programei uma viagem pra Oslo esses dias, mas não deu certo.
Iria eu à capital sueca para, além de tentar comer algumas loiras, pegar meu premio Nobel.
Pensei que esse ano finalmente eu ganharia o tal prêmio, na área da física evidentemente, mas me enganei! Não que eu tenha feito qualquer pesquisa importante nos últimos anos. Na verdade, nem entendo muito de física, mas a gente sempre tem uma pontinha de esperança de ganhar um Nobel.

Decorei até seguinte frase pro meu discurso de agradecimento: "Jag är mycket glad över att ha vunnit Nobelpriset! Bättre sent än aldrig."
Os caras premiados esse ano foram Yoichiro Nambu da Universidade de Chicago, que descobriu uma nova maneira de realizar uma simetria das interações fortes chamada de simetria quiral. A idéia que rendeu o Nobel ao cara teve origem em resultados obtidos por ele na área de supercondutividade. Os outros foram Makoto Kobayashi do acelerador KEK do Japão, e Toshihide Maskawa da Universidade de Kyoto Sangyo, que propuseram mecanismos para quebrar a simetria sob CP. Não me pergunte que diabo é isso! Mas dizem que se esta simetria for quebrada um dado processo constituído de matéria na frente de um espelho não é equivalente ao processo visto com anti-matéria atrás do espelho. Foda, não é!?
Por essas e outras é que preferiram premiá-los, não a mim.
Andei repensando minhas metas e cheguei à conclusão que de hoje em diante, graças à indiferença sueca em relação a minha contribuição à física, motivo pelo qual sequer fui indicado àquele prêmio, tentarei ganhar o Nobel de literatura.
Talvez seja um pouco complicado também eu ser premiado nessa categoria, afinal de contas, não tenho nenhum livro escrito. Mesmo assim permanecerei otimista.

02 Outubro, 2009

DIVAGAÇÕES SOBRE HONDURAS


Muito se tem falado nos últimos dias a respeito da consolidação das democracias na América Latina, continente assaz maltratado por ditaduras sanguinárias, que ainda a pouco mandavam e desmandavam por estas plagas.

Tal discussão veio a lume por força da deposição do presidente legitimamente eleito de Honduras, no dia 28 de junho do ano corrente.

A reação dos países de todo o continente foi imediata: declarações de repúdio, ameaças, discursos inflamados de Hugo Chávez, entre outras bravatas se tornaram corriqueiras nos últimos dias.

Dia 04 de julho, a Organização dos Estados Americanos - OEA suspendeu Honduras, alegando ter o governo interino violado a ordem constitucional daquele país.

Palavras tais como Golpe de Estado, Ditadura etc, tem estampado as páginas dos periódicos continente afora, suscitando desde então explícita simpatia dos mais variados setores ao presidente deposto.

Olvidaram, no entanto, os senhores da OEA, ao tomarem a deliberação de suspender Honduras desse respeitado organismo, de observar as disposições constitucionais vigentes naquele país.

Confesso sem constrangimento que, nos primeiros dias após a deposição de Zelaya, fiz coro com a imprensa latino-americana, vociferei contra o “golpe de Estado”, me indignei, polemizei com meus iguais, até que me deparei com o artigo 239 da Constituição hondurenha, que veda àquele que haja desempenhado a titularidade do poder executivo a possibilidade de ser presidente e vice-presidente da república.

Não é possível, pensei! Será que os tais golpistas estão com a razão?

Meu arsenal de argumentos sobre conjuntura hondurenha foi sepultado pelo conteúdo que segue o caput do artigo constitucional precitado, que dispõe que: “El que quebrante esta disposición o proponga su reforma, así como aquellos que lo apoyen directa o indirectamente, cesarán de inmediato en el desempeño de sus respectivos cargos y quedarán inhabilitados por diez (10) años para el ejercicio de toda función pública.”

Pelo que se observa até então, o afastamento do presidente que tentou violar norma constitucional, no caso Zelaya, é prevista no ordenamento jurídico hondurenho, tornando-o inelegível pelos próximos dez anos.

Esse dispositivo constitucional é algo tão explícito na legislação daquele país que, não raramente, nos deparamos com alusões àquela disposição, como, por exemplo no artigo 42, 5 da própria constituição, que prevê a perda da qualidade de cidadão àquela que incitar, promover ou apoiar o continuísmo ou a reeleição do presidente da república.

O próprio código penal de Honduras, em seu artigo 330, dispõe que será sancionado com reclusão de seis a dez anos quem, havendo exercido a qualquer título a Presidência da república, promover ou executar atos que violem o artigo constitucional que proíbe exercer novamente a presidência da república ou desempenhar de novo tal cargo sob qualquer título.

Obviamente que o conteúdo legal acima digitado não prevê a extradição de quem incorra na infração comentada, motivo pelo qual não se justifica, ao depor um presidente infrator, trasladá-lo para fora do país. Foi o primeiro de muitos atos abusivos cometidos pelo governo interino de Honduras.

Quanto às medidas mais drásticas, tais como fechamento de rádios, toque de recolher etc, merecem uma análise mais detalhada para se verificar sua justeza ou não. Mas ressalte-se que nossa própria Carta Magna, a que se convencionou chamar de Constituição Cidadã, prevê, em seus artigos 137 a 139, a possibilidade, dadas as circunstâncias, de restringir o direito de reunião, ainda que exercida no seio das associações, restringir o sigilo de correspondência, o sigilo de comunicação telefônica, bem como fazer restrições relativas à inviolabilidade da correspondência, ao sigilo das comunicações, à prestação de informações e à liberdade de imprensa, radiodifusão e televisão etc, e nem por isso é considerada antidemocrática.

Descabida é a pressão da OEA pelo retorno de Zelaya ao poder em Honduras, haja vista aqueles que ora são taxados de golpistas, estarem amparados na ordem constitucional vigente naquele país. O afastamento de Zelaya se deu, amparado na lei, para frustrar tentativa de violação da Constituição hondurenha, bem como evitar que, em detrimento do estado de direito, Zelaya se perpetuasse no poder. Quem é o golpista, afinal de contas?

Ressalte-se que a ordem constitucional, sob égide de quem se gerou toda essa celeuma, pode sim, ser questionada e subvertida. Mas quem possui legitimidade para tanto é somente o povo hondurenho!


Publicado na Folha de São Paulo, dia 01 de outubro de 2009

17 Setembro, 2009

Dança de rua


Nunca me empenhei em compreender o motivo da Petrobrás financiar maciçamente uns tais “projetos culturais” Brasil a fora.
Certa feita, em ar de deboche, meu amigo Werther Macedo me disse que os artistas que outrora participaram da campanha “O petróleo é nosso” estão recebendo agora a contrapartida através dos editais da Lei Rouanet, sustentados com o dinheiro de nossa grandiosa empresa petrolífera.
Eu sei, parece provocação, mas sou sincero ao afirmar que considero esdrúxulo os critérios para aprovação dos tais projetos de cultura.
Vejam, por exemplo o caso da ONG que recebeu uma grana considerável para realizar oficinas onde garotinhos de uma favela carioca aprenderiam a fazer música com objetos inusitados, tais como serrotes, jaboticabeiras, livros de auto-ajuda e outras coisas do gênero.
Fiquei pasmo ao tomar conhecimento do valor milionário recebido pela tal ONG, mas mais surpreso fiquei ao ver no telejornal uma reportagem que mostrava as crianças com seus inusitados “instrumentos”, semi-nus, pintados com tinta guache, tocando Chupa que é de uva na recepção de um chefe de Estado estrangeiro.
Ao contrário desse projeto bem sucedido, cito o do meu falecido camarada Valadares, que tentou conseguir financiamento para um curso de formação de torneiro mecânico.
“Se os caras, me disse ele certa vez, Se os caras dão dinheiro pra um monte de atividades inúteis, na certa, vão financiar um curso profissionalizante dirigido a pessoas pobres.”
Ledo engano! Meu falecido camarada Valadares não conseguiu aprovação de seu projeto, e acabou se despojando de seus anacrônicos valores morais (como certa vez me disse Ismael), e passou a pesquisar, entre os projetos que geralmente conseguem financiamento público, uma coisa inovadora para apresentar como proposta e ganhar dinheiro público sem trabalhar, e ainda por cima ser aplaudido e reconhecido como uma cara “preocupado com o social.”
Não teve ele muita paciência em sua pesquisa, e acabou elaborando um projeto de dança de rua para a terceira idade.
Me perguntou noutro dia se eu entendia algo sobre dança de rua, e diante de minha resposta negativa, convidou-me para perambular pela cidade, na esperança de avistar alguém dançando dança de rua na rua, o que foi debalde.
Tivemos que usar nossa criatividade, e como eu já tinha feito aulas de dança de salão durante uns meses, sugeri que a tal dança de rua poderia ser o Tango.
O projeto foi aprovado e me dava muita satisfação ter contribuído com aquela idéia maravilhosa. Gostava de ver os velhinhos na rua dançando El dia que mi quieras.
Mas há quem não tenha gostado. Os caras do hip-hop, por exemplo, não perdiam a chance de fazer provocações, chegando até mesmo a afirmar que aquilo lá, o projeto de dança de rua de meu falecido amigo, de dança de rua não tinha nada.
Que se fodam os caras do hip-hop! Duvido que algum entre eles entenda de dança de rua, ou que saiba dançar o mais elementar passo de Tango.

16 Setembro, 2009

Dois links


Aqui vai o link para download para celular do Clip A tabela da Putada (Valeu Erasmo!), música do glorioso Cabrito.

E aqui a programação do Goiamum Audiovisual, onde meu documentário Fazendo Presença será lançado dia 26 de setembro do ano corrente. Apareçam!
P.S.: Nada a ver essa foto!

Atos secretos.


Agora, que já cessou a repercussão a respeito dos escândalos sobre os tais atos secretos no senado, confessarei ao leitor que, por pouco, não tive meu nome envolvido naquelas falcatruas.
Eu já tinha conhecimento das nomeações ilegais no senado e, tendo em vista a mania do presidente Sarney de nomear namorados das netas, quando conheci uma dita cuja chamada Naninha Sarney, tratei imediatamente de assediá-la.
Ela era bem feiosinha, mas, em troca de uma sinecura, valeria a pena come-la vez por outra, pois, além de conseguir um bom emprego em Brasília, faria um bem à tal fulana que, feia como era, não fazia muito sucesso entre os homens.
Montei toda uma farsa: fingir ser um pequeno empresário em ascensão, e lembro como se fosse ontem o dia em que consegui levá-la pra cama. Confesso que era um tanto quanto constrangedor caminhar com Naninha Sarney em via pública de mãos dadas, justamente por isso passei a evitar ir a certos lugares onde provavelmente seria visto por conhecidos que, certamente, fariam comentários maldosos sobre meu enlace.

O romance entre mim e Naninha foi o primeiro "ato secreto" protagonizado por minha pessoa.
Aguardei o envolvimento entre nós crescer para poder tocar no assunto de minha nomeação no senado e, no fim das contas acabei me apaixonando de verdade.
Descobri que, infelizmente, o sobrenome de Naninha não era Sarney. Era somente um apelido!
Me senti enganado, usado! Me disseram que, na verdade, tal apelido era por causa da semelhança física entre Naninha e nosso querido presidente do senado. Sobretudo por causa do bigode que, as vezes, ela esquecia de tirar.
Fracassei em minha empreitada, mas confesso que tenho uma ponta de inveja do namorado da neta de Sarney que passou esse tempo todo mamando nas tetas do Estado sem trabalhar. Diferentemente da opinião pública não o condeno por isso. Afinal de contas, encarar aquela baranga não deve ser uma tarefa das mais fáceis.

01 Setembro, 2009

O homem com uma câmera


O roteiro era mais ou menos o seguinte: terminava com a tela escura, umas batidas suaves na porta e uma voz de mulher falando “Gregor, Gregor. Um quarto para sete. Não ias viajar?” O adágio de Albinone já deveria estar tocando baixinho, ficando gradualmente mais alto enquanto surgia na tela o primeiro parágrafo d’A metamorfose.
Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso.
Créditos finais.
Foi uma tentativa mal sucedida de fazer um curta metragem inspirado na famosa obra de Kafka.
Filmamos durante dias. Várias pessoas envolvidas, cansaço, tempo despendido, as internas num ambiente quente pra caralho! Muito trabalho e dedicação.
Motivos alheios à nossa vontade impediram a conclusão do vídeo, apesar de todo esforço empregado.
De lá pra cá alguns projetos na área de áudio-visual deram certo, outros nem tanto. Mas o mais surpreendente foi a boa aceitação, ano passado, do vídeo Nóia, feito de improviso por mim e por Érik nem me lembro em que ano. (somos os caras da foto). Filmado com uma máquina fotográfica, na cidade de João Pessoa, durante uma bebedeira, o tal vídeo ganhou menção honrosa no Comunicurtas do ano passado em Campina Grande.
Por isso não é surpresa a continuação daquela estória infame, dessa vez com um roteiro bem elaborado, que tem como signatário Érik Medeiros, dirigido pelo próprio e co-dirigido por minha pessoa, ter ganhado o prêmio de melhor ficção e melhor roteiro na edição deste ano do aludido festival. Além do excêntrico roteiro, do esforço da produção e tudo o mais, o vídeo foi editado pelo talentoso Renato Silva, que indubitavelmente foi fundamental no trabalho.
A premiação, realizada semana passada, coroou com êxito o talento desses paraibanos com quem tive a imensa satisfação de trabalhar. Por obséquio, caro leitor, não se chateie com a rasgação de seda. Afinal de contas, o que deveria ser dito num texto parabenizando alguém? Noutras palavras, os caras são foda!

28 Agosto, 2009

"Este vídeo foi removido por violação dos termos de uso."

video

Pois é. Algum desocupado denunciou o clip de Cabrito e a porra do youtube o tirou do ar por "violação dos termos de uso".
Azar o deles, aí vai o vídeo de novo.

27 Agosto, 2009

Advogando


Acabo de tomar uma deliberação seriíssima e compartilhá-la-ei agora com o leitor: não vou mais escrever putarias neste blog.
Tal decisão se deu pelo fato do conteúdo aqui publicado está comprometendo minha reputação junto à opinião pública.
Eu não me importaria com isso caso tal repercussão negativa não comprometesse meu índice de aceitação junto ao público feminino – entre o qual virou senso comum me taxar de “machista escroto”- bem como vem me prejudicando profissionalmente.
Salvo engano, já falei aqui noutra ocasião que, desde que entrei para a área do Direito, adotei uma postura de homem sério e responsável, compatível com o comportamento que as pessoas esperam de um bom advogado.
Entrei nessa área pensando em encontrar um trabalho fácil e bem remunerado, o que se demonstrou ser ilusão.
Na semana passada, por exemplo, trabalhei duro para tentar libertar um rapaz, preso injustamente, acusado de tentar comer a própria mãe. Após utilizar todas as vias legais, não obtive êxito em conseguir a liberdade de meu cliente. Fui então aconselhado por um colega a impetrar um Habeas Corpus.
Como faltei às aulas de direito constitucional e direito processual penal, não sabia muito bem o que meu colega quis dizer com “impetrar um habeas corpus”. Não sabia eu que o tal habeas corpus é um pedido, fundamentado, encaminhado ao órgão superior à autoridade que mantém o réu preso, supostamente, de maneira ilegal.
Imaginei, pois, que habeas corpus era algo como uma ferramenta metálica, comprida e com dentes amolados em um dos lados, e fui ao mercado procurar tal instrumento, obviamente sem sucesso, pois o que de mais parecido encontrei foi uma serrinha daquelas fininhas, amarelas.
Dirigi-me até o presídio no qual meu cliente estava preso e disse a ele: Vim aqui impetrar um Habeas Corpus, e lhe entreguei a serra.
À noite, assistindo o telejornal, fui agraciado com a notícia de que meu cliente havia fugido da penitenciária. Liguei imediatamente para o colega que outrora havia me aconselhado, e assim que ele atendeu, exclamei: Causa ganha, meu camarada! Obrigado pelo conselho. Meu cliente já está em liberdade.
O problema nisso tudo é que, por ser muito pobre, meu cliente não tinha grana para me pagar os honorários, e ao invés de dinheiro, me pagou com um bezerro.
Não sei quanto está custando no mercado a arroba do boi gordo, mas sinto que, no fim das contas, saí ganhando.
É uma graça o bezerro que meu cliente me deu, e confesso que já estou apegado ao animal, tanto que nem pretendo vendê-lo, tampouco matá-lo pra fazer churrasco. O único problema é criá-lo dentro do meu apartamento. Meus amigos estranham o fato de eu ter um bezerro como animal de estimação, e é sempre uma longa história explicar por que o batizei com o nome de Honorários.

25 Agosto, 2009

Esporte sangrento


Quem me vê caminhando pela rua, discreto e franzino, provavelmente nem imagina o lutador violento e habilidoso que sou.
Comecei a me interessar por artes marciais por causa daquelas garotas que aparecem sorrindo em cima do ring, entre um round e outro, exibindo uma placa numerada. Não consigo lembrar o motivo pelo qual eu imaginava que, uma vez terminada a luta, o vencedor iria para o vestiário com a fulana.
Foi por isso que comecei a treinar boxe neo-zelandês.
Mês passado consegui a façanha de me sagrar tri-campeão brasileiro de boxe neo-zelandês na categoria peso leve. O que mais impressionou o público que acompanha esse tipo de evento foi o fato de eu nunca ter perdido uma luta em toda minha carreira.
Tudo bem que perder uma luta seria uma tarefa um tanto quanto complicada, uma vez que não tem mais ninguém aqui no Brasil que pratique essa modalidade de esporte. Por isso é que, até hoje, ganhei todas as lutas por W.O. mas não considero isso nenhum demérito.
O prêmio em dinheiro que ganhei no último campeonato que disputei é o suficiente pra eu tirar uns dias de férias até a próxima luta. Vou chamar a menina da placa pra me fazer companhia, afinal de contas, estou há vários meses em abstinência sexual por orientação do meu treinador.
Acho que ele vai ser ainda mais rigoroso quando eu voltar ao treinamento, pois dessa vez vou disputar o cinturão mundial, e talvez agora precise lutar de verdade.
Ouvi uns boatos de que na minha categoria tem um lutador de boxe neo-zelandês muito talentoso em algum país, salvo engano, na Nova Zelândia.

31 Julho, 2009

Sexta-feira

Estive sumido esses dias, pois dei plantão no msn, aguardando ser adicionado por certa senhorita. Escrevo agora, sexta à noite, ainda sóbrio, pois já perdi as esperanças de voltar a ter contato com a precitada.
É uma garota que conheci outro dia na clínica psiquiátrica na qual faço tratamento e que me cativou, não somente por suas qualidades físicas, digamos, mas principalmente pelo sotaque francês.
Não se já disse isso, mas se não o disse digo agora, que considero cada idioma adequado para determinada função.
O inglês, por exemplo, é perfeito pra fechar grandes negócios e declarar guerra, o italiano é perfeito pra fazer ameaças, o alemão é o mais adequado para se queixar da vida na fila do supermercado, enfim... Mas o francês, ah, a língua de Baudellaire, é ideal para as senhoritas sussurrarem frases obscenas nos ouvidos grosseiros de caras que nem eu!
E foi justamente por causa do sotaque francês que me interessei pela senhorita que falei anteriormente. Fiz o possível pra parecer ser um cara agradável, culto, elegante. Fingi ser poeta, evitei palavrões, não cocei o saco na frente dela. Tudo ia bem, mas infelizmente cometi um ato imperdoável: dei endereço deste blog pra ela e ela, que deve ter lido alguns textos de minha autoria, descobriu o canalha que sou e desde então não atendeu nenhum telefonema meu.
Fiquei esses dias esperando ela me adicionar no msn, mas foi debalde. Isso é que dá ser sincero!

Um Soneto de Passagem...

O faz gozar um calo mais rugoso

Depois de um festival de sacanagem,
põe-se exausto o casal a relaxar
numa banheira morna a borbulhar.
No entanto, eis que na tal da hidromassagem

sente o moço no rabo outra massagem:
no olho do cu lhe roça o calcanhar
da parceira, que ordena com o olhar
o pronto desbloqueio da passagem.

Lhe enterra todo o pé, desde o dedão
ao tornozelo, e o júbilo é tamanho,
que nem mesmo os abate um cagalhão,

e é tamanha a jubilação do esposo,
que no ápice do caloroso banho
o faz gozar um calo mais rugoso.

Leo Pinto, 31/07/2009

10 Julho, 2009

Mais uma vez sobre prostituição

Fiquei surpreso ao ver na página de notícias internacionais d’O Globo dessa semana a seguinte manchete: “Prostitutas dizem que foram contratadas para participar de festas de Silvio Berlusconi”. Minha surpresa não se deu pelo fato de um chefe de Estado contratar uma meia dúzia de putas pra uma farra, mas sim pela ênfase dada pela imprensa a tal fato.
Não consigo compreender como uma categoria de profissionais, em tese qualificados, se dá ao trabalho de cobrir fatos de tamanha irrelevância como esse! Geralmente esse tipo de notícia inútil é publicada nas colunas sociais, na revista Caras e afins, não na capa do caderno de notícias internacionais.
Que importância tem pra comunidade internacional se um cara, chefe de Estado ou não, contrata umas prostitutas para uma suruba? Imagino a insegurança de um pai de família ao se deparar com tal notícia. O coitado deve hesitar em freqüentar os prostíbulos habituais, temendo ver sua foto estampada nos jornais do dia seguinte com a seguinte manchete: “Escândalo: Fulano de tal é visto em puteiro”.
E é justamente por isso que relato a vocês, antes que esse tema vire um escândalo de proporções internacionais, que já me relacionei com prostitutas na minha adolescência.
Tudo começou no dia em que Edna, minha namorada na época, rompeu nosso relacionamento. Apesar do abalo que sofri e de minha pouca idade, na época tinha 16 anos, fiz o que qualquer homem sensato faria em meu lugar após o fim de um relacionamento: Fui encher a cara num puteiro!
Era uma ambiente desses esdrúxulos. Uma “boate” de beira de estrada, e como em todo cabaré de pobre, só tinha uma ou duas meninas, assim, comestíveis. E foi justamente uma delas que eu chamei pra minha mesa, pra tomar uma cerveja antes de partirmos pro quarto do bordel.
Jussara era o nome da dita cuja, Leporina era seu apelido, e muito embora ela fosse fanha, o que de certa forma dificultou o diálogo entre nós, me ensinou lições importantíssimas, que levarei comigo para sempre, como, por exemplo, o ensinamento de que as mulheres banguelas são capazes de fazer boquetes formidáveis.
Durante algumas semanas continuei visitando Leporina, até o dia em que ela se casou com um servente de pedreiro e abandonou aquela vida.
Confesso que fiquei um tanto quanto decepcionado, pois já estava me apegando a ela, pois naquela época, imaturo como eu era, não conseguia perceber que o sexo avulso é melhor que qualquer tipo de relação séria.
Depois de Leporina vieram outras e outras, que no fim das contas me ajudaram a esquecer de uma vez por todas a frustração inicial que me levou a procurar profissionais do sexo.
Hoje em dia não tenho mais o hábito de freqüentar bordéis, mas certamente não me recusaria a participar de uma das festas promovidas por Berlusconi caso fosse convidado.
Recordo agora uma afirmação do primeiro-ministro italiano que, ao ser questionado por um jornalista a respeito de sua relação com prostitutas, respondeu: “Nunca paguei para ficar com uma mulher.” Eu também não, Silvio, eu também não. Como disse certa vez alguém que não me lembro quem foi, “eu pagava, para ter certeza que elas iam embora no dia seguinte.”

09 Julho, 2009

Uma homenagem a Michael Jackson


Quem por (des)ventura tenha lido algum de meus posts aqui neste blog provavelmente já deve ter percebido que, vez por outra, confundo as palavras e, não raramente, troco umas pelas outras. Isso acontece geralmente com palavras que tem certa semelhança entre si, como por exemplo, hífen e hímen. Um dia desses, conversando com um amigo a respeito da reforma ortográfica, ao ouvi-lo dizer que o “hímen” foi abolido de certas palavras compostas da língua portuguesa, brinquei dizendo: Como na palavra ex-virgem? Obviamente que ele não entendeu minha piada, pois, afinal de contas, não fazia mesmo sentido algum.
Também comumente confundo “urgência” com “orgia” e essa confusão, em particular, caro leitor, pode causar inconvenientes e constrangimentos inenarráveis ao indivíduo.
Houve certa ocasião em que entrei num pronto socorro e, ao me deparar com a moça da recepção, perguntei: Quanto é o programa? Ela olhou-me espantada e chamou o segurança. Mas lá fora na placa, expliquei pro bruta montes enquanto ele me dava uma chave de braço, mas lá fora na placa tem dizendo “Orgias e Emergências”! O escroto ignorou minhas explicações e me pôs porta a fora. Realmente é difícil dialogar com essa gente. Seguranças e policiais, a meu ver, representam um risco ao estado democrático de direito, pois eu, um cidadão brasileiro que respeita as leis, diversas vezes fui vítima de arbitrariedades cometidas por essas categorias de profissionais, como na acima narrada.
Mas lá fora, na calçada, me dei conta que, na verdade, a placa dizia “Urgências e Emergências”.
Também costumo confundir pessoas, e justamente por isso é que fiquei surpreso com todo esse estardalhaço que a imprensa vem fazendo em torno da morte de Jackson do Pandeiro. Mas o cara já morreu faz é tempo, disse eu a um amigo, que gentilmente me falou que o defunto em questão não era Jackson do Pandeiro, mas sim um tal de Michael Jackson.
Nunca conheci ninguém em minha vida que tenha comprado um disco desse tal Michael Jackson, mas agora, depois que o cara morreu, em todo lugar estão prestando homenagem a ele.
Aqui em Natal, no último sábado, uma homenagem que pretendiam fazer pro tal Michael foi dispersada pela polícia na base da porrada. Tudo isso por causa de um mal-entendido.
Pois bem, uns caras aqui, ligados a uma Associação de Curta-metragistas, cineclubistas, ou algo do tipo, me enviaram um e-mail comunicando que fariam uma homenagem ao falecido, e eu, prestativo, usei de minha influência junto à imprensa para divulgar o evento.
Confesso que não compreendi o espanto dos jornalistas quando eu falava do assunto e comunicava a programação, que somente era composta pela exibição de filmes e vídeo-clips.
No domingo recebi um telefone desaforado de um dos organizadores e, somente quando olhei os jornais é que compreendi o motivo de tal celeuma: é que ao invés de dizer que o evento estava sendo organizado por cinéfilos, equivocadamente disse que quem estava promovendo a homenagem era um grupo de pedófilos.
Por isso a polícia foi acionada e impediu a realização do evento.
No fim das contas, não fiquei com o menor peso na consciência por ter sido tão desatencioso e cometido tal equívoco. Eu nunca gostei de Michael Jackson mesmo!

03 Julho, 2009

"Protesto contra proibição de documentário acaba em pancadaria no Acre"

Quem imaginaria que um documentário amador causaria tanta celeuma? Vejam vocês aqui a notícia sobre o documentário “Fazendo presença” dirigido por este que vos escreve.

25 Junho, 2009

Curso de contorcionismo para homens autodidatas solitários


Entre as diversas tarefas que a internet possibilita realizar, tais como pesquisas científicas, publicação de artigos acadêmicos, divulgação de fotos de ex-namoradas transando e mentiras sobre a vida alheia, a minha preferida é fazer downloads gratuitos. Não sei por que adquiri essa mania, mas basta achar um link de um download free – seja lá qual for o produto - e eu já estou clicando indiscriminadamente. Livros que nunca lerei, músicas que jamais ouvirei e filmes obscuros que não tenho tempo de assistir entulham a memória do meu computador inutilmente.
Baixei um dia desses um livro em PDF intitulado “Curso de contorcionismo para homens autodidatas solitários” de autoria de um tal Barbalho Câmara. Confesso que estranhei o título, mas mesmo assim baixei o e-book.
A primeira lição era intitulada “Exercícios para conseguir se auto boquetear”. Como não tenho interesse em aprender tal coisa, pulei pra lição seguinte, que era “Aprenda a comer sua própria bunda.”
Não vejo mal algum em o indivíduo comer o próprio rabo e chupar a própria pica, mas isso é o tipo de coisa que não me interessa. Não que eu considere viadagem esse tipo de prática, mas sou meio conservador e, no que se refere a sexo solitário, prefiro a tradicional e bem comportada punheta.
Mas caso algum leitor se interesse pelo material, é só enviar um e-mail para ehgrilo@hotmail.com que eu envio.

24 Junho, 2009

A indústria pornográfica é foda!


Desde o início da crise internacional que este blog vem sofrendo seus lamentáveis efeitos.
Idealizado com o objetivo de garantir fama, mulheres e dinheiro fácil para nós, que postamos de vez em quando essas bostas de textos, até uns meses atrás as coisas aqui no Cavalo-Verde estavam indo muito bem, até surgir, como diz meu amigo Ewerton, essa tempestade de merda na economia.
Importantes patrocinadores rescindiram os contratos conosco, e tivemos que reduzir os custos; fechamos diversas sucursais Brasil a fora, demitimos dezenas de funcionários e pusemos fim às mordomias que até então nós, do comitê central do blog, gozávamos.
Para mim não há nada de lamentável nisso tudo, afinal de contas eu sou um cara habituado a um modo de vida simples, pois nunca fui rico e enfrentei dificuldades financeiras desde o início de minha vida, haja vista ter nascido sem um centavo no bolso, nu, banguelo e analfabeto. As mulheres que saiam comigo por interesse financeiro, no entanto, não gostaram nada dos cortes que fui obrigado a fazer no meu orçamento pessoal e, consequentemente, sumiram todas.
Forçado por esses motivos a buscar um outro jeito de ganhar dinheiro sem trabalhar, aceitei protagonizar um filme pornográfico.
Esse tipo de emprego, pensei eu, vai me dar oportunidade de comer belíssimas mulheres, além de me pagar um bom cachê. O ponto desvantajoso seria o fato de ter que ficar nu em público, mas fora isso, tudo bem.
Ah, meus amigos, que saudade dos filmes pornográficos da década de 90! Aqueles que os moleques da minha geração tinham que contrabandear na vizinhança, ainda em fitas VHS. Hoje em dia as bizarrices viraram regra. Não mais existem limites e bons modos no meio pornográfico!
Uma característica que diferencia os filmes atuais dos antigos, além da presença de elementos como vômito, fezes, animais etc, é que hoje em dia a indústria explora muito os fetiches de cada categoria de expectador. Por isso é comum encontrarmos, por exemplo, filmes de mulheres orientais transando com cavalos, direcionado a adolescentes interioranos leitores de mangá.
O filme no qual fui atuar era um desses específicos pra determinado tipo de público. No caso, era um filme dirigido ao público pan-sexual.
No dia das gravações, ansioso que estava pra conhecer as atrizes, cheguei logo cedo ao estúdio, onde tomei conhecimento do título da película: “Sexo no escritório.” Para minha decepção fui informado pelo diretor que eu não contracenaria com nenhuma atriz, pois, como o filme era direcionado a pan-sexuais, eu protagonizaria uma cena sem sexo convencional.
Minha participação seria numa cena de suruba onde participariam, além de mim, um birô, um lap-top e uma coleção de livros de direito tributário.
Achei estranho no início, mas no fim, acabei curtindo a experiência. Ainda bem que nem precisei ficar nu, pois meu personagem era um voyeur depravado que se excitava com qualquer coisinha. A cena que eu participei exigiu muito do meu talento de ator, e justamente por isso é que eu estou otimista no que diz respeito à repercussão desse trabalho. Arrisco até dizer que sou forte candidato ao AVN Award do próximo ano.

17 Junho, 2009

Pequena fábula sobre a viadagem.


Certa feita meu falecido amigo Valadares, provavelmente influenciado por estas análises politicamente corretas muito em voga hoje em dia, decidiu , como ele mesmo disse “se despojar de todo preconceito e atraso ideológico”.
A priori nós, seus amigos à época, não tentamos demove-lo dessa idéia, uma vez que é sempre interessante fazer auto-críticas, e abandonar certos posicionamentos irracionais diante da realidade social em que vivemos.
O problema de meu falecido amigo Valadares foi justamente a maneira que ele elegeu para iniciar sua auto-crítica: Fez amizade com um monte de viados.
Era inusitado quando casualmente nos encontrávamos, pois, desse dia em diante, quando enxergávamos ao longe uma roda de homossexuais – não estou fazendo trocadilho! – era provável que entre eles estivesse nosso querido camarada.
Nossos amigos em comum, como não era de se estranhar, se afastaram do pobre Valadares e eu, afinal de contas como era inevitável, também mantive um certo afastamento. Restou-lhe, pois, em seu circulo de amizades, somente os novos amigos, uma vez que nós, que preferíamos (eu particularmente ainda prefiro) vaginas a caralhos, na época tão preconceituosos que éramos, nos afastamos de nosso antigo companheiro por considerarmos um tanto quanto difícil a convivência com suas novas companhias, e não raras vezes comentávamos tristemente: O bicho virou viado depois de velho! Foda!
Alguns meses mais tarde, meu falecido amigo Valadares me procurou para, como ele mesmo disse, “fazer uma auto-crítica da auto-crítica”.
Logo no início da conversa fez questão de deixar claro que não era homossexual, e que desconfia que, todo homem que necessita auto-afirmar sua masculinidade, na verdade é um viado enrustido. Por esse motivo, entre outros, é que outrora tinha tomado a decisão de não apenas respeitar a orientação sexual alheia, mas também, como ele mesmo disse, “de conviver harmonicamente com as diversidades”.
Filiou-se ao PT onde fez novos amigos e, como não era de se estranhar, se sentia um pouco deslocado na presença de suas novas companhias, uma vez que era o único hetéro da turma, além de ser, segundo me consta, o único entre aqueles que não tem lá grande admiração por um tal de Leon Trotski, nem é torcedor do São Paulo.
Certo dia, após beber um pouco além da conta, perguntou a queima-roupa a um dos seus novos amigos: “Mas que graça tem em dar o cu, afinal de contas?”
Após uns desconfortáveis segundos de silêncio, um deles falou somente: “Dê o seu que você vai saber”.
Lamentavelmente Valadares caiu na besteira de seguir essa recomendação descabida, mas ficou cabreiro, pois queria “viver essa nova experiência”- as palavras são dele – com alguém que não o conhecesse até então, porque caso propusesse tal coisa a um conhecido, todos iam se certificar que ele realmente tinha assumido uma suposta homossexualidade que na realidade não existia.
Para conhecer um cara que topasse come-lo foi fácil. Se dirigiu até um dos banheiros públicos da UFRN e deixou lá um recado: “Nunca dei o cu e quero dar a primeira vez. Procuro homens, de preferência que tenham o pau fino e pequeno”.
Dois dias depois voltou ao banheiro e, bingo!, um cara que se auto-denominava “Descabaçador de cu”respondeu o recado e deixou um e-mail pra contato.
Nesse ponto na história ele calou-se, fumou um cigarro e eu finalmente perguntei: “Mas e aí... no quê que deu?”
- Foi horrível! Nunca mais quero repetir aquela experiência, nem nunca mais quero saber de amizade com viado!
Essa última fala de meu falecido amigo Valadares, caso esse texto fosse uma fábula, poderia muito bem ser a moral da estória.
Hoje em dia, após tomar conhecimento da trágica experiência de meu falecido amigo, não tenho condições de discordar de uma frase que ouvi certa vez de um velho agricultor no interior do Rio Grande do Norte que, ao ser questionado sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo falou: “Não vejo problema em ser admitida, o único problema é quando passar a ser obrigatória!”
Mas por obséquio, queridos leitores, não me interpretem mal! Não sou, como se diz por aí, “homofóbico” e, sem sacanagem, acho que a união civil entre pessoas do mesmo sexo deveria ser legalizada no Brasil, por se tratar de assunto que diz respeito unicamente a quem queira participar de uma relação dessa natureza e, parafraseando o velho Frederich Engels, este “é um assunto com o qual a coletividade nada tem a ver!”.
Esse mesmo senhor que mencionei mais acima, em uma de minhas andanças pelo Rio Grande do Norte, foi quem me recomendou o programa de Djann intitulado “Defecando pela boca”.
O programa é interessantíssimo - aqui vocês podem ouvir alguns.
O título, no entanto, me suscitou uma dúvida: sabendo-se que a diferença entre cagar e dar o cu é exclusivamente vetorial, ao defecar pela boca, estaria Djann chupando pica?


Ps: Não confundir o adjetivo viado com o substantivo veado.

10 Junho, 2009

PAPA PICA

Vejam vocês mesmos...

http://www.cosmo.com.br/noticia/30269/2009-06-10/mulher-morde-e-arranca-parte-do-penis-do-marido.html

05 Junho, 2009

Falando sério

Me flagrei essa semana acompanhando Cláudia Leite cantando Falando sério de Roberto Carlos.
Sei que isso é um choque pros meus amigos, pois tempos atrás eu me arrogava de ser um homem sofisticado, elegante, de refinada sensibilidade artística e musical.
Nunca escondi de ninguém o quanto sou romântico, mas romantismo por romantismo, quando o assunto era música, eu sempre disse preferir Sergei Vasilievich Rachmaninoff a Bartô Galeno.
Eu sei, é constrangedor fazer auto-crítica publicamente, mas confesso: eu ridicularizava o coloquial, admirava prolixidade, curtia discorrer sobre as formidáveis impressões que os minutos iniciais da segunda peça do Concerto Brandeburguês me causavam; defendia a poesia neo-concreta; explicitava entender de Vladimir Ulianov a Patativa do Assaré. Era, enfim, um pedante!
Hoje, honestamente, pouco me importam as preferências musicais alheias, e não faço esforço algum para persuadir seu ninguém que minhas preferências no campo da literatura, música, cinema etc, são as mais refinadas.
Por isso não tenho qualquer pejo em admitir que me emocionei quando a galega baiana entoou: “Eu não queria ter vocêêê, por um pro-gra-maaaa...” mas acredito que, apesar da dita cuja ter um belíssima voz, Falando sério é o tipo de música que deveria ser interpretada somente por homens.
A canção é um desabafo de um homem que se dá por vencido e joga aberto com a fulaninha que desumanamente o faz de gato e sapato. Por isso começa dizendo:

Falando sério
É bem melhor você parar com essas coisas
de olhar pra mim com olhos de promessa
depois sorrir, como quem nada quer.

Caralho! Isso é um surto de sinceridade com um misto de desespero, raiva, insegurança e uma ponta de esperança que o comportamento da cachorra provocou no coitado. Ele a quer só pra ele, quer casar, assumi-las, mas ela, vagabunda, dá pra todo mundo.
Quando ele diz que É bem melhor você parar com essas coisas... está aludindo ao sofrimento que aquela situação o provoca, ao mesmo tempo que deixa implícita uma sutil ameaça.
Logo após ele se rende e dá uma de coitadinho: Você não sabe, mas é que eu tenho cicatrizes que a vida fez.
A parte, porém, que considero a mais formidável é a seguinte:

Falando sério...
Eu não queria ter você por um programa
E apenas ser mais uma em sua cama
Por uma noite apenas e nada mais!
Falando sério...
Entre nós dois tinha de haver mais sentimento
Não quero o seu amor por um momento
E ter a vida inteira pra me arrepender...


Ele sabe que pode come-la sempre que quiser, ou melhor, sempre que puder pagar o programa, a comissão do cafetão, o táxi e o motel.
Mas tudo isso para um assalariado nem todo mês é possível.
Então ele, imagino eu, sentado na cama do puteiro, ela por trás dele deitada ainda nua, decide confessar seu amor, na tentativa de sensibiliza-la: Não quero teu amor por um momento!
Mas ela, insensível, só quer receber seu dinheiro e correr pra janela pra esperar outro cliente.
Falando sério não é um clássico da MPB apenas por sua letra impecável, por sua melodia e arranjos agradabilíssimos, mas principalmente, pelo fato de nos remeter àquele momento inelutável na vida de todo homem em que nos apaixonamos por uma vagabunda!
Esse vídeo que postei aí é uma versão de Roberto Carlos cantando a música ora em apreço.
O cara é foda mesmo! Canta com emoção e elegância. Mas como iniciei este post falando sobre bom e mal gosto: apesar da interpretação de Roberto ser excelente, o cravo que ele tá usando na lapela não caiu muito bem.
Vejam aí o vídeo.

28 Maio, 2009

Sobre academias, blowlob, mulheres ajumentadas, Akira Kurosawa e Jaspion (ou De volta à vida sedentária)


Me convenci, afinal, que meu sedentarismo tava prejudicando minha saúde. Ou melhor dizendo: me convenceram, e eu decidi me matricular numa academia de ginástica.
Antes de fazer minha matrícula, no entanto, tomei as providências preliminares que qualquer pessoa de bom senso tomaria numa situação dessas: fui comprar uma fita K7!
Ora, para se fazer ginástica, é indispensável estar ouvindo uma boa música na hora dos exercícios. Por isso, uni o útil ao agradável, e comprei a nova fita K7 de uma das minhas bandas contemporâneas favoritas – Banda Blowjob - para inaugurar meu Walk-Man que comprei pela internet.
Quem ainda não conhece essa banda, aconselho que escute seu novo trabalho – a Demo tape intitulada Bola Gato, na qual as garotas (é uma banda formada só por garotas) fazem releituras interessantíssimas de músicas de artistas consagrados no continente, como Genival Lacerda e Carlos Gardel, em versões que misturam de punk-rock com samba de gafieira, que é o que de mais inovador aconteceu na MPB desde a Bossa-Nova.
Pois como eu ia dizendo, comprei a fita da Blowjob e corri pra academia pra fazer minha matrícula no Muay Thay.
Cheguei na academia e fiquei aguardando a recepcionista que tinha dado uma saidinha, ouvindo meu walk-man no máximo volume, apreciando as mulheres ajumentadas – no melhor sentido da palavra – que trafegavam por ali.
- Pois não, senhor. Falou a moça da recepção assim que retornou, e eu, apontando para as mulheres que a pouco mencionei, perguntei:
- Aquelas ali, são do Muay Thay?
- Ah, sorriu a recepcionista, não não. São do Aero-axé.
Eu que tinha acabado de tirar o read-fone do ouvido, ainda impactado pela surdez momentânea que geralmente nos acomete quando interrompemos bruscamente a execução de uma música em volume muito alto, entendi ela dizer “aquelas são alunas do curso de lambada-nudista”. Ouvindo isso – ou achando que tinha ouvido - não hesitei em me matricular imediatamente.
Fui, então, para minha primeira aula e, já de cara, encontrei minhas colegas de turma na porta de entrada da sala, conversando sobre os assuntos mais diversos.
Quando ia me aproximando ouvi uma das fulanas dizendo:
- Meu sonho é ser dançarina de uma consagrada banda baiana de pagode.
Eu, ainda meio surdo, equivocadamente entendi ela dizer “eu adoro os filmes de Akira Kurosawa” -黒澤 明, e tentando me entrosar na conversa, passei a tecer elogios à obra do cineasta japonês, frisando que, na minha humilde opinião, Rashōmon é um dos filmes mais geniais de todos os tempos.
O pessoal me olhou com certa estranheza, e somente depois é que eu fiquei sabendo que nenhuma das pessoas presentes nessa conversa conhecia Akira Kurosawa. Na verdade, elas nem sequer sabiam que no Japão existe cinema e cineastas há muito tempo!
Fui cancelar minha matrícula na academia, e disse à moça da recepção que eu havia me enganado, pois eu achava que tinha me matriculado nas aulas de lambada-nudista, quando na realidade a academia nem oferece esse tipo de esporte.
Me dirigi à porta de saída e antes de ligar meu walk-man, fui interpelado pela recepcionista com a seguinte interrogação:
- Akira Kurosawa, por acaso, é o cara que interpretou o Jaspion no cinema?
- É não, falei, o cara que interpretou o Jaspion foi o Hikaru Kurosaki. Olhando direitinho, até que os nomes são parecidos. Mas não tanto ao ponto de confundi-los!

25 Maio, 2009

Pequeno esclarecimento ao leitor Vinícius "Elfo" Rennó

O leitor Vinícius "Elfo" Rennó postou o seguinte comentário, no texto que postei aí embaixo Sobre calcinhas comestíveis.

“Uma amiga minha me perguntou, após ler o teu texto, se existem cuecas comestíveis.”

Bem, caro Vinícius, diga a sua amiga que sim, ainda existem cuecas comestíveis. Mas, diferentemente das calcinhas, não existem muitas opções de sabor.
Na verdade, a indústria brasileira de cuecas comestíveis vem enfrentando uma crise sem precedentes, o que sem dúvida contribuiu para o surgimento dessa marolinha que tá rolando por aí mundo a fora.
Por mais que a indústria tenha despendido esforço razoável para produzir cuecas artificialmente saborosas, não obteve êxito! As clientes que, em tese, deveriam comer as cuecas, não aprovaram, gerando enorme prejuízo aos empresários, fazendo as ações na bolsa das empresas do ramo caírem abissalmente, contribuindo dessa maneira para o agravamento da crise econômica internacional. (Veja o gráfico)
Lembro certa vez de ter ouvido uma reclamação de que a cueca sabor pêssego com cupuaçu, na realidade, tinha um estranho sabor de água sanitária.
Os homens que, para agradar suas consortes, toparam vestir essas inusitadas indumentárias também não gostaram do resultado. Um amigo meu, por exemplo, me relatou que viveu a traumática experiência de ter um testículo mordido por engano, e ainda pra piorar, na mesma ocasião, um pentelho de sua bolsa escrotal ficou presa entre os dentes de sua namorada. Ainda bem que esse é o tipo de problema fácil de se resolver, pois basta cortar o maldito cabelinho e pronto! Procurar a tesoura numa situação dessas, no entanto, é que deve ser deveras constrangedor.

13 Maio, 2009

Baitolagem

Já recomendei noutro post o blog de Eduardo, que foi queimar a rosca morar na Europa, de onde publica textos interessantíssimos, que revelam sua homossexualidade seu talento literário.
Ele relata aqui, de forma comovente, sua primeira experiência homoafetiva. Vai lá conferir, mas cuidado pra não se sentir tentado a virar fresco.





12 Maio, 2009

Comendo calcinhas


Durante muito tempo eu duvidei que realmente existissem calcinhas comestíveis. Minha incredulidade durou até o dia em que Poliana decidiu, como ela mesma me disse, incrementar a relação com uns acessórios.
Confesso que quando ouvi essa frase fiquei um tanto quanto receoso, afinal de contas eu não podia prever a que tipo de acessório ela se referia. Mas tive a agradabilíssima surpresa de me deparar com uma calcinha de framboesa e a voz imperativa de Poliana me dizendo: Come!
Evidentemente que, diante de minha, digamos, pouca familiaridade com artigos de sex-shop, ela precisou me advertir:

- Calma! Mandei comer a calcinha primeiro!

Desde esse dia, as calcinhas comestíveis viraram um vício para mim. Experimentei todos os sabores: Morango, framboesa, chocolate, açaí, jaca etc.
Mas as minhas preferidas são as de sabor carne de charque e jabá acebolado. Se bem que a de queijo-qualho também é assaz saborosa.
Comer calcinhas, além de saciar o animalesco fetiche de rasgar com os dentes as roupas de baixo da companheira, é também algo muito saudável.
O valor nutricional de tais iguarias é rico o suficiente para deixar um homem adulto alimentado o suficiente para encarar uma noite inteira de sexo: Calorias: 247; Proteínas: 3,80g; Fibra: 16,90g; Cálcio: 118,00; Ferro: 58,00; Vit.B1: 11,80; Vit.B2: 0,36 e Vit.C: 0,01.
Só advirto ao leitor que não tente comer calcinhas de poliéster, tampouco as de couro.
Recentemente passei por um enorme constrangimento por causa dessa mania de comer calcinhas. Tentei comer uma calcinha de uma amiga, mas não obtive êxito. Melhor dizendo: Não consegui comer a calcinha nem a dona, que alegou estar menstruada.
Sorrateiramente, após algumas horas, furtei do varal da fulana a peça íntima e corri pra casa.
Sem me dar conta que tinha deixado a porta de meu apartamento escancarada, fui flagrado por um vizinho enquanto a fervia na panela.
Era uma calcinha de algodão, daquelas do tipo que, depois de um dia corrido, são excelentes pra temperar uma sopa de camarão.

Folha reproduz notícia publicada no Cavalo Verde


O site do jornal Folha de São Paulo, no dia 12 de maio do ano corrente, reproduziu texto integral de notícia publicada no blog jornalístico Cavalo-Verde.
Segundo Emanuel Grilo, um dos redatores do blog, “o que nos deixou chateado foi o fato deles terem reproduzido nosso texto sem creditar” e afirmou também que “estamos acionando nossa assessoria jurídica para mover processo contra a Folha.”
A notícia objeto da celeuma, é sobre a possível pandemia de Linfogranuloma Venérea Caprina, que vem crescendo em todo o mundo nos últimos dias.
O Grupo Folha publicou nota hoje à tarde com pedido formal de desculpas.
A assessoria de imprensa do Cavalo-Verde ainda não se pronunciou a respeito da nota.

08 Maio, 2009


Preocupados com a formação política dos seus militantes, os dirigentes do Democratas - DEM irão promover nos próximos dias 20, 21 e 22 de agosto um curso de formação política, cujo o tema central é Marxismo-leninismo.

"É fundamental ao militante comunista compreender a ciência marxista para poder guiar sua ação para, só assim, transformar a sociedade" afirmou ACM Neto, um dos idealizadores do curso. Os interessados podem se inscrever no site http://www.juventudedemocrata.org.br/.


Veja a notícia na íntegra aqui.

07 Maio, 2009

Linfogranuloma Venéreo Caprina pode virar Pandemia.


Depois da Gripe suína, que contaminou pessoas em várias regiões do planeta, uma nova doença vem preocupado as autoridades internacionais.
Trata-se da “Linfogranuloma Venéreo Caprina”, uma variação da doença homônima, que até pouco tempo atrás só era transmitida de um ser humano para outro, através de relações sexuais.
O primeiro caso foi catalogado na cidade de Cercana del Sur, na Guatemala, região onde o forte da economia é a caprino-cultura leiteira. A vítima é um adolescente, Júlio Fernandez, de 16 anos.
Na última segunda feira, dia 04 de maio, o jovem apresentou os sintomas e foi encaminhado para o hospital da cidade, no qual permanece internado.
A doença já se manifestou em dezessete pessoas pelo mundo, sendo oito na Guatemala, duas na República Dominicana, três na Inglaterra, duas no Timor-Leste, uma na Indonésia e uma no Tibet, além dos vários casos suspeitos que foram catalogados até o momento.
Segundo Thomas Abraham, porta-voz da Organização Mundial de Saúde, “não há motivo para pânico, uma vez que a doença só é transmitida através de relações sexuais. Para se prevenir, basta tomar as cautelas de praxe” assegura Abraham.
Médicos Guatemaltecos investigam como o adolescente foi contaminado.

SINTOMAS

Assim como o Linfogranuloma venéreo comum, o Linfogranuloma venéreo caprino caracteriza-se pelo aparecimento de uma lesão genital de curta duração e que se apresenta como uma ferida. Esta lesão dura entre três e cinco dias.
Após a aparente cura desta lesão primária, podem surgi outras complicações, como inchação dolorosa dos gânglios de uma das virilhas. Se esta inchação não for tratada adequadamente ele evolui para o rompimento expontâneo e formação de fístulas que drenam secreção purulenta.

04 Maio, 2009

Sobre bailarinas


Eu gosto de ballet clássico.
E, como o leitor provavelmente já deve desconfiar, gosto de bailarinas também.
Minha atração por elas, pelo que me lembro, se deu ainda na infância, após ler uma versão traduzida para o português d’O soldadinho de chumbo.
Como o leitor sabe, o protagonista desse conto infantil se apaixona por uma bailarina de papel. Mas, a priori, foi o fato dele ser perneta que fez com que eu me identificasse com o dito cujo. Afinal de contas, quase fiquei perneta após ser atropelado aos oito anos de idade. Li então o contozinho no leito, enquanto convalescia, e lembro de como torci para que os dois terminassem juntos.
Dias se passavam e eu, da janela do meu quarto, observava deslumbrado as meninas passando na rua: coque no cabelo, colan por baixo da blusa da Dina Nina, a caminho da aula de balé, enquanto eu, semi-perneta, decorava poemas de Álvares de Azevedo planejando recitá-los um dia, nos ouvidos de uma delas, conquistando-a, enfim.
Anos mais tarde, tornei-me freqüentador assíduo de espetáculos de ballet. Percorri os camarins, frenquentei ensaios, mas não conheci nenhuma bailarina que me interessasse.
Isso durou até o dia em que desisti de tal busca, por achar piegas da minha parte. O que realmente foi confirmado no dia em que, semi-embriagado na mesa de um bar, recitei para mim mesmo, mas em voz alta, sem me dar conta do rídiculo:

Amoroso palor meu rosto inunda,
Mórbida languidez me banha os olhos

Fui interrompido por estrepitosa gargalhada numa mesa próxima, na qual uma garota – uma dessas da foto acima, que o leitor já deve desconfiar de quem se trata – se conteve na marra, assim que olhei com semblante seriíssimo, e me pediu desculpas dizendo:

- Me perdoe... é que não consegui me conter. Pensei que ninguém gostasse de Álvares de Azevedo... Com todo respeito, mais ele é muito meloso...

Fingi concordar, para não desagrada-la e emendei a conversa. Descobri, no fim da noite que ela era bailarina, mas não revelei meu fetiche.
Casei-me com ela alguns dias após, e no fim das contas, deu no que deu.
Estamos até hoje da maneira que o leitor já deve está imaginando. Caso eu contasse, ninguém acreditaria.